Relações internacionais

Bolsonaro é recebido por Trump na Flórida, enquanto reforça crise com Congresso no Brasil

A caminho dos Estados Unidos, onde janta com Trump neste sábado para tratar de Venezuela e Oriente Médio, o presidente brasileiro incentivou os protestos do dia 15

Trump e Bolsonaro, en uma imagen de arquivo.
Trump e Bolsonaro, en uma imagen de arquivo.Carlos Barria

Donald Trump recebe neste final de semana na Flórida o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e, neste sábado, os dois terão um jantar privado no complexo de férias de Mar-a-Lago, a que o mandatário norte-americano gosta de se referir como “a Casa Branca do sul”. É a primeira reunião entre os dois líderes populistas de direita desde que Trump desconcertou Bolsonaro com o anúncio, em dezembro do ano passado, de novos impostos ao aço e alumínio brasileiros. O líder brasileiro afirmou que Trump não levará adiante sua ameaça, mas o norte-americano ainda não a retirou formalmente.

Os dois mandatários, de acordo com um comunicado da Casa Branca que não menciona esses impostos, “debaterão as oportunidades para construir um mundo mais democrático, próspero e seguro”. Também falarão, segundo o comunicado, da crise humanitária na Venezuela e sobre o Oriente Médio.

A crise na Venezuela é uma prioridade da Administração Trump na América Latina. O Brasil está alinhado à estratégia de Washington de isolamento total ao regime de Nicolás Maduro, e nesta mesma semana o Governo do Brasil ordenou a retirada de todos os seus diplomatas ligados ao chavismo que se encontravam na Venezuela.

Para Bolsonaro, a viagem também será uma oportunidade de se reunir com empresários à procura de investimentos que possam ajudar o Brasil a corrigir suas perspectivas econômicas. Na última quarta (4), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou o que o PIB de 2019 foi de 1,1% (contra 1,3% em 2018 e 2017), e a ameaça de uma queda global provocada pela crise do coronavírus pode nublar ainda mais o horizonte de uma economia que não consegue se recuperar após a grave recessão de 2015 e 2016. O presidente vai testar seu talento para convencer empresários a investir num momento de incerteza na economia, estimulada por ele mesmo, como afirmou o presidente da Câmara do Brasil, Rodrigo Maia. “O governo gera uma insegurança grande para a sociedade e para os investidores. As pessoas estão deixando de investir pela questão do meio ambiente e pela questão democrática”, disse Maia em evento em São Paulo, nesta sexta.

O jantar de sábado é o primeiro encontro na agenda de quatro dias na Flórida, que inclui uma visita no domingo, na cidade de Doral, ao Comando Sul dos Estados Unidos, que coordena as operações militares no Caribe, Centro e América do Sul. Bolsonaro deve assinar lá um “acordo de projetos de pesquisa” para “compartilhar informação no desenvolvimento de novas capacidades de defesa”. Na segunda-feira terá um encontro com empresários dos dois países para expor as oportunidades de negócio que o Brasil oferece, e na terça-feira visitará em Jacksonville a fábrica da empresa brasileira de aviões Embraer. O Governo brasileiro informou que o presidente Bolsonaro se reunirá com membros da comunidade brasileira da Flórida, formada por 400.000 pessoas.

O encontro entre os dois presidentes ocorre um ano depois de Trump receber Bolsonaro na Casa Branca, onde exibiram sua boa sintonia. Os dois políticos têm o mesmo estilo de conservadorismo populista, e Bolsonaro baseou sua bem-sucedida campanha de 2018 na que levou Trump à Casa Branca em 2016. O presidente brasileiro não esconde sua admiração por seu homólogo norte-americano e até gosta de se referir a si próprio como “o Trump dos trópicos”. Trump, por sua vez, fez elogios às políticas de Bolsonaro e não participou das críticas de muitos líderes ocidentais por sua gestão dos terríveis incêndios que arrasaram a região amazônica no ano passado.

Crise com Congresso no Brasil

Bolsonaro saiu de Brasília na manhã deste sábado e fez escala em Boa Vista, em Roraima. Antes de embarcar para os Estados Unidos, falou de um púlpito para um grupo de apoiadores e incentivou a participação nas manifestações do dia 15 de março, que têm em sua pauta ataques ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal. “Dia 15 agora tem um movimento de rua espontâneo, e político que tem medo de rua não serve para ser político”, disse ele. “Então participem, não é um movimento contra o Congresso, contra o Judiciário. É um movimento pró-Brasil”, completou ele, numa colocação contraditória e delicada, uma vez que se descola de seu papel de homem público, ao falar de políticos. O gesto pode ser considerado crime de responsabilidade, passível inclusive de impeachment.

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