Coronavírus

Coronavírus chega a todo território da China, e Rússia fecha 4.200 quilômetros de fronteira

Na Itália, 6.000 passageiros estão em um cruzeiro bloqueado em um porto por um possível caso de coronavírus a bordo. Campeonato de futebol da China é suspenso até novo aviso

Um homem compra uma máscara em uma farmácia em Wuhan, na China, nesta quarta-feira, 29 de janeiro.
Um homem compra uma máscara em uma farmácia em Wuhan, na China, nesta quarta-feira, 29 de janeiro.CHINA DAILY / Reuters

O coronavírus de Wuhan já se espalhou por todo o território da China, uma vez que o Tibete, a última província até então livre do patógeno, confirmou seu primeiro caso. A contagem oficial das últimas 24 horas indica 170 mortos, quase 50 a mais que no dia anterior. Os infectados chegam a 7.736, um terço a mais que na quarta-feira. Há 12.167 casos suspeitos e 126 pacientes que já conseguiram se recuperar.

O coronavírus 2019-nCoV pode causar pneumonia com sintomas como febre alta, tosse seca, dor de cabeça e falta de ar. Seu período médio de incubação é de três a sete dias, com um máximo de 14. Os cientistas chineses confirmaram que, diferentemente da SARS, o contágio é possível durante a incubação.

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Rússia fecha as fronteiras terrestres com a China

O primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, decretou nesta quinta-feira o fechamento das fronteiras terrestres com a China para tentar conter a expansão do coronavírus de Wuhan no país, relata a correspondente Maria Sahuquillo. A Rússia, em suas regiões do Extremo Oriente, compartilha mais de 4.200 quilômetros de fronteira com o gigante asiático. Nos últimos dias, várias regiões já haviam tomado essa decisão. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores suspendeu a emissão de vistos eletrônicos para cidadãos chineses. A Rússia ainda não detectou nenhum caso do coronavírus de Wuhan.

As medidas de precaução e o medo da propagação da doença, no entanto, são sentidos no território russo. O McDonalds, que tinha programado um grande evento nesta sexta-feira para comemorar o aniversário de 30 anos da abertura de seu primeiro restaurante em Moscou, decidiu suspendê-lo depois que as autoridades da capital recomendaram que se evitem eventos públicos em locais movimentados, “para minimizar os riscos de espalhar a infecção". E a previsão era de receber uma multidão na festa, na qual os hambúrgueres do BigMac seriam vendidos por três rublos (cerca de 20 centavos de real, à taxa de câmbio atual), o preço que tinham em 1990, quando foi aberto no centro de Moscou. Quase como foi naquele dia, 30 anos atrás.

Um cruzeiro bloqueado na Itália por um possível caso

Cerca de 6.000 passageiros permanecem bloqueados no porto de Civitavecchia (Itália) a bordo de um grande navio de cruzeiro procedente da Espanha, à espera da realização dos testes em uma mulher que chegou de Macau com sintomas compatíveis com os do coronavírus de Wuhan. Os viajantes, entre os quais muitos espanhóis, não podem descer ao continente enquanto não saírem os resultados dos exames, relata Lorena Pacho.

O protocolo foi ativado depois que a mulher, originária de Hong Kong –e que, segundo a mídia local, viajou de Macau, na costa sul da China, para a Europa para fazer o cruzeiro–, teve febre e problemas respiratórios. Com ela viaja o marido, que não apresenta sintomas, mas que também foi isolado no centro médico da embarcação. Uma equipe médica do hospital Spallanzani, em Roma, especializada em doenças infecciosas, foi até o navio na manhã desta quinta-feira para realizar as análises e depois voltou ao hospital para dar o resultado o mais rápido possível. As autoridades marítimas da região do Lácio garantiram “ter feito tudo o que precisava ser feito" e que a situação a bordo “está sob controle”. O casal, segundo a imprensa italiana, chegou ao aeroporto de Malpensa, em Milão, em 25 de janeiro, e de lá se deslocou para o porto de Savona, em Gênova, para iniciar o cruzeiro. Antes de ir para o porto de Civitavecchia, o navio fez escalas em Marselha, Barcelona e Palma de Maiorca.

Ainda nesta quinta-feira, a companhia aérea British Airways (BA) confirmou que manterá o cancelamento de voos para a China –anunciado na quarta-feira– pelo menos até o final de fevereiro. “Estamos entrando em contato com os passageiros sobre o cancelamento de voos para tratar de suas opções, incluindo fazer reservas com outras companhias aéreas, se possível, o reembolso total (do bilhete) ou reservar com a BA para uma data posterior”, disse um porta-voz da companhia aérea. A British Airways faz parte do grupo aéreo IAG (com a Iberia, a Air Lingus, a LEVEL e a Vueling) e opera voos diários para Pequim e Xangai a partir do aeroporto de Heathrow, em Londres, o mais movimentado da Europa.

Continua a remoção de estrangeiros

Um segundo avião fretado pelo governo japonês pousou nesta quinta-feira em Tóquio com 210 cidadãos dessa nacionalidade procedentes de Wuhan, a cidade de origem do vírus. Um dia antes haviam chegado outros 206, três dos quais deram positivo nos testes. Segundo o Ministério da Saúde do Japão, dois deles não apresentavam sintomas.

No voo desta quinta-feira viajavam um médico, uma enfermeira com equipamentos termográficos para verificar se algum dos passageiros apresentava sintomas do vírus. Ao contrário de outros países, o Japão permitiu que seus cidadãos repatriados passem a quarentena em suas casas após um exame voluntário para detectar se são portadores do patógeno. Dois dos que chegaram na quarta-feira se recusaram a passar por esses testes e estão em suas casas, embora as autoridades tenham garantido que seu estado de saúde será rigorosamente verificado.

Cingapura também retirou 92 de seus cidadãos, em um voo que chegou ao aeroporto de Changi por volta do meio dia. "Aqueles que estiverem com febre ou sintomas respiratórios serão transferidos para hospitais designados para exames médicos mais detalhados, enquanto os demais passageiros, incluindo funcionários consulares que acompanharam os cidadãos de Cingapura que estavam em Wuhan, permanecerão em quarentena por catorze dias.”

Campeonato de futebol da China é suspenso até novo aviso

A Federação Chinesa de Futebol suspendeu até novo aviso todos os jogos e competições de futebol, incluindo seu principal campeonato, por causa da disseminação do coronavírus de Wuhan. De acordo com um informe em seu site, a federação tomou a decisão de adiar o início da temporada para "participar da prevenção e controle" da doença e "garantir a saúde" de jogadores, torcedores e funcionários dos clubes. Em princípio, a nova temporada deveria começar em 22 de fevereiro.

Na primeira divisão chinesa participa o Wuhan Zall, o clube da cidade de Wuhan, que chegou ao aeroporto de Málaga nesta quarta-feira para continuar sua pré-temporada no sul da Espanha. Esta equipe, liderada pelo técnico espanhol José González, está fora da cidade foco da epidemia e da província de Hubei desde 4 de janeiro, tempo que excede em muito o período de incubação.

Casos em Pequim de pessoas que não estiveram em Wuhan

A capital chinesa começou a detectar casos dentro de seus limites municipais de infecções em pessoas que não haviam passado pela província de Hubei, onde fica Wuhan, nos últimos quinze dias. Esta cidade confirmou 111 casos de infecções, dos quais um terminou em morte. Quatro pessoas, segundo a contagem oficial, já se recuperaram.

O Governo municipal de Pequim lembra que, entre as medidas de precaução para evitar o contágio, é necessário lavar as mãos com frequência, cobrir o rosto com máscaras protetoras quando sair à rua e informar as autoridades se ocorrerem sintomas como febre ou tosse seca.

A doença se espalha por mais países

Os Governos da Índia e das Filipinas confirmaram nesta quinta-feira que registraram em seu território os primeiros casos de infectados pelo surto do novo coronavírus. O Ministério da Saúde da Índia informou que o primeiro caso registrado é o de um estudante que voltou da cidade de Wuhan. O paciente foi isolado em um hospital na cidade de Kerala, “está estável e submetido a monitoramento". Nas Filipinas, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de coronavírus no país, o de uma mulher chinesa de 38 anos que chegou em 21 de janeiro procedente de Hong Kong e testou positivo para o vírus.

O Vietnã informou que três vietnamitas que retornaram recentemente de Wuhan também contraíram a doença, relata a Reuters. Dois deles serão tratados em Hanói, enquanto o terceiro está em Thanh Hoa, a 160 quilômetros da capital. Esses três casos se somam aos dois casos confirmados no país na semana passada: dois chineses que viajaram para o Vietnã, um dos quais já se recuperou. O Brasil investiga nove casos suspeitos de coronavírus,

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