Fórum de Davos

Trump se lança em Davos contra o “catastrofismo climático” diante da ativista Greta Thunberg

O presidente dos EUA deixa de lado o “EUA primeiro, mas não sozinhos” para dar a largada em sua campanha eleitoral de defesa dos trabalhadores e do emprego

A poucas horas de que, a cerca de 6.700 quilômetros de distância, começasse o julgamento de seu impeachment no Senado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu nesta terça-feira no Fórum de Davos o tiro de largada de sua campanha eleitoral. Trump dedicou a maior parte de seu discurso a analisar as conquistas, reais ou fictícias, da presidência em matéria comercial, desde a criação de empregos à evolução das Bolsas. No final, investiu contra o “catastrofismo climático” e alertou, também de olho no público interno, que “não nos deixaremos dominar pelos socialistas radicais”.

Nada permanece no discurso de Trump do “EUA em primeiro, mas não sozinhos”, que hasteou nesse mesmo palco em 2018. “Quando falei neste fórum há dois anos, eu lhes disse que havíamos lançado o grande retorno americano”, disse Trump. “Hoje, tenho orgulho de declarar que os Estados Unidos estão em meio a um boom econômico como o mundo nunca viu antes”.

E como amostra, sob essa ótica, uma longa lista de vitórias no comércio para os trabalhadores ―"criamos sete milhões de empregos― e as empresas de classe média ―“na primeira metade de 2019, atraímos 25% de todo o investimento estrangeiro direto do mundo”―, incluindo a primeira fase de um acordo comercial com a China e a aprovação pelo Senado de um novo pacto com o Canadá e o México. Tudo isso, disse, apesar do fato de o Federal Reserve “elevar as taxas de juros depressa demais e as reduzir devagar demais”, uma das tradicionais queixas de Trump sobre o banco central dos EUA. “Os outros países deveriam seguir o exemplo do nosso modelo econômico, que coloca os cidadãos em primeiro lugar", afirmou. No final do pronunciamento, já nos corredores, o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz criticou duramente o discurso e as “mentiras e cifras falsas” dadas por Trump.

Na presença da ativista sueca Greta Thunberg, que pouco antes tinha criticado os líderes de Davos por falar muito sobre o clima, mas não fazer nada, Trump atacou no final de seu discurso os “catastrofistas” que alertam para as graves consequências das mudanças climáticas. "Temos que rejeitar os eternos catastrofistas e suas previsões de apocalipse.” Trump acusou os “herdeiros dos insensatos adivinhos do passado” de estarem errados nas mudanças climáticas, como já fizeram, segundo ele, quando há décadas previram a superpopulação do planeta ou o fim do petróleo.

"Previram uma crise de superpopulação nos anos 60, uma fome em massa nos anos 70 e o fim do petróleo na década de 90. Esses alarmistas sempre exigem a mesma coisa: poder absoluto para dominar, transformar e controlar todos os aspectos de nossas vidas. Nunca permitiremos que socialistas radicais destruam nossa economia, destruam nosso país ou acabem com nossa liberdade", disse o líder dos EUA, em uma referência aberta a seus rivais democratas nas eleições de novembro próximo.

A mensagem triunfante de Trump chega 24 horas depois que o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu um crescimento mais moderado para a primeira potência este ano, de 2%, e para 2021, de 1,7%, depois dos 2,3% alcançados em 2019, agora que o estímulo decorrente da redução de impostos se desvanece.

Durante sua visita a Davos, Trump planeja se reunir com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Iraque, Barham Salih, e o do Paquistão, Imran Kahn.

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