Vadão, ex-treinador da seleção feminina, morre em São Paulo

Aos 63 anos, Oswaldo Alvarez estava internado com câncer no fígado. Além da seleção, também teve passagens por São Paulo, Corinthians, Guarani e Ponte Preta

Vadão foi demitido da seleção brasileira em 2019.
Vadão foi demitido da seleção brasileira em 2019.Antonio Lacerda / EFE

Oswaldo Alvarez, o Vadão, morreu aos 63 anos nesta segunda-feira no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Treinador com passagens por São Paulo, Corinthians e seleção brasileira feminina, Vadão tratava de um câncer no fígado desde janeiro e estava internado na UTI há pouco mais de duas semanas. Seu último trabalho foi na Copa do Mundo de 2019, quando o time foi eliminado com pela anfitriã França nas oitavas de final.

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Depois de uma carreira discreta como jogador, Vadão chamou atenção em 1992, comandando o Mogi Mirim, equipe do interior paulista. Com Rivaldo no time, que viria a se tornar melhor jogador e camisa 10 da seleção brasileira, o Mogi de Alvarez encantou no Campeonato Paulista daquele ano e, apesar de não levar o título, chegou a ser apelidado de “Carrossel Caipira” pelas semelhanças com o “carrossel holandês”, estilo de jogo famoso adotado pela seleção da Holanda.

Foi no interior paulista, em Campinas, onde Vadão mais trabalhou. Foram cinco passagens pelo Guarani, onde conquistou um acesso para a série A em 2009 e um vice-campeonato paulista em 2012, e quatro pela Ponte Preta. Seja pelo Bugre ou pela Macaca, Vadão disputou nove dérbis, como é conhecido o clássico da cidade entre os dois times, e nunca perdeu. O auge da sua carreira foi entre 2000 e 2001, quando treinou Corinthians e São Paulo. No time tricolor, foi o primeiro treinador a apostar em Kaká, então um garoto da base, e com ele conquistou o título mais relevante de sua carreira: o Rio-São Paulo de 2001, contra o Botafogo.

Nos últimos anos, Vadão teve destaque comandando por duas vezes a seleção brasileira feminina. Na primeira passagem, de 2014 a 2016, caiu nas quartas da Copa do Mundo e ficou em quarto nas Olimpíadas. Foi substituído por Emily Lima, mas voltou ao posto com a demissão da treinadora em 2017. Venceu uma Copa América, mas chegou ao Mundial de 2019 em meio a críticas pelo discurso por vezes machista e pelos maus resultados em campo, onde foi derrotado nove vezes em 10 jogos na preparação para o torneio da França. No Mundial, esteve a frente de um Brasil que demonstrou muita raça, mas que acabou derrotado para seleções estrategicamente mais organizadas, como a Austrália na fase de grupos e a França nas oitavas.

Jogadoras que estiveram sob seu comando, como as atacantes Marta e Cristiane, prestaram homenagens ao ex-treinador. “Desconheço qualquer ser humano igual, você soube viver a vida de maneira digna e honestamente, orgulho demais de ter vivido momentos maravilhosos ao seu lado e ter tido a oportunidade de aprender muito”, escreveu a camisa 10 da seleção.

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