Pandemia de coronavírus

Referência para clubes brasileiros, Alemanha libera a volta do futebol

Angela Merkel autoriza os clubes profissionais a retomarem na segunda quinzena de maio as competições interrompidas pelo novo coronavírus

Thiago Alcantara, em um treinamento do Bayern de Munique.
Thiago Alcantara, em um treinamento do Bayern de Munique.LUKAS BARTH-TUTTAS / EFE

A Alemanha autorizou a retomada das competições profissionais de futebol após dois meses de interrupção por causa da pandemia do novo coronavírus. A maior potência da União Europeia lança, assim, ao mundo um poderoso sinal de otimismo. Consciente do importante significado de um esporte que hipnotiza metade do planeta, a primeira-ministra Angela Merkel decidiu nesta quarta-feira dar luz verde ao que muitos de seus conselheiros consideram um dos projetos mais ousados ​​de seu mandato. A chanceler aprovou o esboço do acordo alcançado na semana passada pelos ministros do Interior, Saúde e Trabalho com os líderes políticos dos Estados federados, e agora o país reafirmará seu status de motor da União Europeia ao dar impulso ao entretenimento mais popular em todo o mundo, convertido em um símbolo de degelo após dois meses de esfriamento econômico e social.

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A Bundesliga será a primeira grande liga de futebol que voltará a ser disputada. As partidas serão a portas fechadas. A data de início será determinada na segunda semana de maio. Caberá à Liga Profissional de Futebol (DFL) escolher o primeiro dia dos nove que ainda faltam na competição. A assembleia da DFL se reunirá nesta quinta-feira. Segundo o Süddeutsche Zeitung, apenas o Werder Bremen se opõe a começar em 15 de maio. A maioria dos clubes é favorável ao retorno a campo o mais rápido possível, considerando que, de acordo com o acertado, mantenham uma concentração de pelo menos uma semana para isolar os jogadores de suas famílias antes da primeira partida.

Com mais de 167.000 casos registrados e 6.990 mortes, a Alemanha foi menos afetada que a maioria dos países vizinhos. Agora, os Governos dos Länder estão empenhados nas tarefas de redução das medidas mais extremas de contenção, com ações como a iminente abertura de restaurantes, cervejarias e bares. Neste contexto, o retorno da Bundesliga é o passo mais arriscado do programa. Nenhum dos cientistas que embasam o Governo federal garante a eficácia total dos protocolos de saúde que os clubes se impuseram. Mas Merkel está disposta a correr o risco.

Profundamente convencida do poder propagandístico do futebol desde que apadrinhou a equipe que conquistou a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, Merkel e os líderes democratas-cristãos dos diferentes Estados federados influenciaram decisivamente na ativação de um mecanismo que permita que a competição seja lançada em condições atualmente inviáveis para os outros países da União Europeia. Auxiliados pela infraestrutura farmacêutica alemã, já há um mês os clubes da primeira e da segunda divisão são monitorados por um plano de testes de covid-19 que abrange os mais de 50 membros de cada equipe e suas famílias. No total, apenas 11 deram positivo entre mais de 1.000 jogadores de futebol nos 36 clubes participantes.

O protocolo é pioneiro na Europa. De seu êxito depende boa parte do futuro imediato da indústria do futebol, com a Liga Espanhola, a Premier League inglesa e a Série A italiana, entre os expoentes máximos do esporte, e própria retomada dos campeonatos no Brasil, que se espelha no modelo alemão para acelerar o retorno aos gramados. Clubes como Flamengo e Internacional, que voltou a treinar nesta semana, elaboraram suas orientações de segurança com base nas experiências dos times da Bundesliga, embora a curva da pandemia no país ainda não tenha se achatado como na Alemanha.

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