Cinco coisas para prestar atenção no Globo de Ouro 2020

Netflix, poucas mulheres, muitas estrelas consagradas e Ricky Gervais: Hollywood dá início a uma temporada de prêmios com filmes extraordinários

O tapete vermelho do Globo de Ouro no hotel Beverly Hilton, neste sábado.
O tapete vermelho do Globo de Ouro no hotel Beverly Hilton, neste sábado.AFP

Um ano de cinema com uma concentração incomum de filmes de nível extraordinário dá a arrancada à sua temporada de entrega de prêmios neste domingo com o Globo de Ouro. As indicações da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) servem para apontar os vencedores e perdedores preliminares da temporada, pelo menos no que diz respeito ao impacto em Hollywood de suas campanhas promocionais. Para quem não estiver aqui será muito difícil seguir adiante. A lista de indicados neste ano inclui vários atores de primeira linha que vão garantir uma das cerimônias com mais estrelas nos últimos anos. O evento é às 17 horas, em Los Angeles (22 horas em Brasília), para jantar e beber no Salão Internacional do Hotel Beverly Hilton. Serão distribuídos 25 prêmios cujos ganhadores foram escolhidos por cerca de 90 jornalistas. Estes são alguns dos pontos-chave da festa:

Netflix não é mais uma curiosidade

Acabaram os anos em que poderíamos nos surpreender com o sucesso da Netflix. Primeiro, mergulhou nos prêmios da televisão. No ano passado, ganhou três Oscars com Roma. Este ano são os grandes estúdios que tentam abrir espaço nas lacunas deixadas pela Netflix. O catálogo que o videoclube online convertido em estúdio de cinema vinha cozinhando havia anos explodiu este ano com filmes que obtiveram 17 indicações, mais que o dobro do segundo (Sony). Quatro dos dez filmes na disputa são da Netflix: História de um Casamento, O Irlandês, Dois Papas e Meu Nome é Dolemite. O mesmo número de indicações nos prêmios da TV.

Não há favoritos. A imprensa especializada acredita que a HFPA vá premiar O Irlandês, de Martin Scorsese. A decisão de colocar Era Uma Vez em... Hollywood, de Quentin Tarantino, na categoria comédia torna isso relativamente fácil. Estes prêmios são imprevisíveis e têm fama de serem facilmente manipuláveis, mas este ano há pouca margem para decepcionar. Todos são bons.

Filmes estrangeiros emocionam Hollywood

Uma dúzia de filmes não falados em inglês foi indicada ao Oscar de melhor filme. O último foi Roma, no ano passado. É muito raro que um filme estrangeiro tenha um impacto tão grande a ponto de competir nos grandes prêmios. Este ano há um consenso absoluto em Hollywood de que Parasita, o filme do sul-coreano Bong Joon Ho, e Dor e Glória, de Pedro Almodóvar, merecem competir fora da categoria de filme estrangeiro. Ambos disputam esse prêmio no Globo de Ouro. Além do mais, Joon Ho foi indicado para melhor diretor e roteiro. Antonio Banderas concorre como melhor ator. A competição é dura, mas pode-se dizer que em poucos anos houve tanto impacto de filmes estrangeiros na conversa sobre prêmios.

Esperem piadas sobre a falta de mulheres

Ainda ressoam no Beverly Hilton as palavras de Natalie Portman quando entregou o prêmio de melhor diretor de 2018: “E estes são todos os diretores masculinos nomeados ...”. Três filmes aclamados naquele ano eram dirigidos por mulheres e nenhum foi indicado. Este ano, também não. Há indicações de todo o tipo para Adoráveis Mulheres, As Golpistas, Fora de Série ou A Despedida. Não para suas diretoras. A decisão do HFPA não caiu bem.

Novas opções na televisão

A terceira temporada de The Crown na Netflix começa como a favorita para vencer na televisão. O Globo de Ouro mantém uma curiosa competição com o Emmy para ver quem descobre a melhor televisão antes do outro e concede o primeiro prêmio. O Globo de Ouro costuma vencer, por calendário e por um sistema de votação mais próprio para essas coisas. Neste domingo terão a oportunidade de se antecipar premiando The Crown, mas também de dar o primeiro prêmio importante a Apple+, um novo ator em Hollywood, com The Morning Show. Na comédia, se quiserem ser originais terá de ser às custas de ignorar Fleabag, a obra que arrasou no Emmy em setembro.

Ao que parece, era necessário: outra vez Ricky Gervais

“"Fizeram uma oferta que não pude recusar", disse Ricky Gervais nas entrevistas sobre sua decisão de apresentar o Globo de Ouro pela sexta vez. Nos cinco anteriores conseguiu fazer verdadeiros inimigos com suas piadas corrosivas sobre os 200 mais privilegiados do jantar mais caro de Hollywood. O público se divertiu muito com esse tipo de cunhado cuja missão é arrebentar a cerimônia. Gervais garante que é a última vez. É uma aposta arriscada da HFPA porque, por mais barbaridades que diga, não está claro que possa continuar sendo de novo surpreendente e escandaloso. Todas as festas de premiação se deparam com audiências que diminuem ano após ano. A aposta de outros é fazê-las sem apresentador. O Globo de Ouro optou pelo apresentador mais estrepitoso possível.

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