Prêmios Oscar 2020

‘Dor e Glória’, de Pedro Almodóvar, representará a Espanha no Oscar

Drama protagonizado por Antonio Banderas foi escolhido pela Academia do Cinema Espanhol, derrotando 'Mientras Dure la Guerra' e 'Buñuel no Labirinto das Tartarugas'

O pequeno Asier Flores, Antonio Bandeiras, Penélope Cruz, Pedro Almodóvar e Nora Navas, na imagem de fim de rodagem de 'Dor e glória'.
O pequeno Asier Flores, Antonio Bandeiras, Penélope Cruz, Pedro Almodóvar e Nora Navas, na imagem de fim de rodagem de 'Dor e glória'.

Dor e Glória, de Pedro Almodóvar, será o representante espanhol na categoria Oscar de Melhor Filme Internacional. A atriz Belén Cuesta leu a nomeação na manhã desta quinta-feira na sede da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha. O escolhido passou na frente de Mientras Dure la Guerra (enquanto durar a guerra, em tradução livre) de Alejandro Amenábar, e Buñuel no Labirinto das Tartarugas, de Salvador Simó, que completavam o trio de filmes pré-selecionados em 21 de agosto pela Academia para que seus membros escolhessem o título que representaria a Espanha no Oscar. A 92ª edição dos prêmios será realizada em 9 de fevereiro de 2020, um sábado, em Los Angeles. É a sétima vez que a instituição seleciona uma obra de Almodóvar para concorrer ao Oscar.

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"No momento estou viajando para o Festival de Toronto, por isso não posso estar na Academia com todos vocês, mas quero agradecer o apoio e a oportunidade de poder competir, mais uma vez, na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar. É uma grande honra representar nossa indústria, Toronto é justamente o lugar perfeito para começar nossa campanha. Não será fácil estar entre os cinco indicados, porque há muita competição todos os anos, mas farei, com a [produtora] El Deseo e a Sony Pictures Classics, tudo o que puder para que isso aconteça. Quero compartilhar minha alegria com todos os atores e técnicos que participaram do filme. Obrigado a eles por seu talento e dedicação, e à Academia por nos dar esta oportunidade. Obrigado de coração", disse Pedro Almodóvar em comunicado ao saber de sua escolha.

Na Academia, a produtora Esther García disse que o filme estreará em 4 de outubro nos cinemas dos Estados Unidos. "A distribuidora Sony Classics já está fazendo sondagens entre os acadêmicos para poder se candidatar a outros prêmios. Para nós, esta seleção é importantíssima: somos os representantes da Espanha". O filme já foi exibido nos Estados Unidos, no Festival de Telluride, no Colorado, onde foi apresentado por Antonio Banderas, que ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes.

Neste final de semana será exibido na competição de Toronto e, em 27 de setembro, no festival de Nova York, para o qual Almodóvar desenhou o cartaz. Almodóvar já entrou duas vezes no quinteto finalista para o Oscar de melhor filme de língua estrangeira, com Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos e Tudo Sobre Minha Mãe, que ganhou o prêmio em 1999. O cineasta também conquistou a estatueta do melhor roteiro original por Fale com Ela, em 2003, quando também foi indicado na categoria de melhor diretor.

Esther García, Prêmio Nacional de Cinematografia de 2018, disse que na El Deseo já sabem que trabalhar um filme nos Estados Unidos é como numa obra quebrando pedras. Quanto à trajetória comercial na Espanha, Dor e Glória já está em plataformas de streaming: "A Sony o manteve em alguns cinemas, mas o caminho já está trilhado". Na Espanha o filme superou 900.000 espectadores e arrecadou mais de seis milhões de euros (27 milhões de reais).

Em Cannes, onde a carreira internacional de Dor e Glória começou em maio, Almodóvar conversou com EL PAÍS sobre esse drama estrelado por Salvador Maíllo, um alter ego do cineasta encarnado por Antonio Banderas, e assim resumiu seu amor pelo cinema: "Embora o personagem de Antonio esteja em uma situação mais crítica que a minha, sofri um medo semelhante por não poder filmar por doença, de que não houvesse mais nenhum filme. Tenho uma grande dependência de fazer filmes, é total. Este é, para mim, o tema mais pessoal de Dor e Glória. Foi ... terapêutico, apesar de eu odiar essa palavra, porque ninguém dirige como terapia”. Almodóvar acaba de receber o Leão de Ouro honorário no festival de Veneza.

Outros 30 países anunciaram seus representantes nos últimos dias. A Suécia envia And Then We Dance, que estreou na Quinzena dos Realizadores de Cannes; pelo Uruguai irá Así habló el cambista, de Federico Veiroj; a Croácia selecionou Mali; o Brasil envia A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz, vencedor da mostra Um Certo Olhar, em Cannes; a Romênia escolheu La Gomera; pela Hungria vai Those Who Remained; o Japão preferiu o animado Tenki no Ko (literalmente, filha do tempo); a Noruega escolheu Out Stealing Horses, de Hans Petter Moland, que participou da última Berlinale; pela Holanda vai Instinto, com Carice von Houten; Marrocos envia Adam, da estreante Maryam Touzani, que esteve na mostra Um Certo Olhar; a Macedonia do Norte selecionou Honeyland, documentário vencedor em Sundance, e a Colômbia terá Monos, de Alejandro Landes, Prêmio Especial do Júri de Sundance.

Em 13 de janeiro serão anunciados os candidatos. Como nas últimas edições, um comitê fará uma pré-seleção na categoria de estatueta para o melhor filme estrangeiro —que este ano foi rebatizada para Melhor Filme Internacional— e essa lista curta será divulgada no Natal: os acadêmicos escolhem seus preferidos de 2 a 7 de janeiro. Fora desta competição estão os Oscar honorários, que nesta edição serão concedidos em 27 de outubro aos cineastas David Lynch e Lina Wertmüller e aos atores Geena Davis e Wes Studi.

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