Brexit

Os dados do divórcio entre o Reino Unido e a UE

Europa perde um de seus principais sócios em termos econômicos e demográficos (gráficos em espanhol)

A saída do Reino Unido da União Europeia (UE), depois de 47 anos de união, abre uma nova era no bloco econômico. O referendo celebrado em maio de 2016 — prometido pelo conservador David Cameron como arma para ganhar as eleições do ano anterior— exibiu a fratura da sociedade britânica. Mais de 17 milhões de cidadãos (51,9% dos votos) optaram por abandonar a UE, embora o resultado tenha sido desigual nas diferentes regiões do país. As apertadas vitórias do Leave na Inglaterra e Gales contrastaram com o apoio à permanência na Escócia (62%) e Irlanda do Norte (56%). A rejeição à saída da UE foi muito notável em Gibraltar: 96% dos cidadãos da colônia britânica votaram a favor da permanência.

População e território

O Reino Unido era o quarto país mais densamente povoado entre os 28 que compunham a UE. Assim, proporcionalmente, se reduz mais a população do que o território comum do bloco, que perde seu terceiro sócio com mais habitantes e o oitavo mais extenso.

A população de ambos lados do canal da Mancha poderão seguir residindo sem barreiras e se deslocando como até agora durante o período transitório, que está previsto para ser finalizado no próximo 31 de dezembro. Os mais de três milhões de cidadãos da UE —poloneses, romenos, irlandeses e alemães, principalmente— que residem no Reino Unido terão até junho de 2021 para regularizar seu status. O acordo de saída estabelece que os britânicos residentes em países da UE (cerca de 900.000) poderão permanecer no território, sempre que cumpram com os trâmites pertinentes.

Comércio e turismo

Com o abandono britânico, o clube comunitário perde o segundo país em termos de PIB. Só fica atrás da Alemanha. França —com 500.000 habitantes a mais do que o Reino Unido— voltará, depois de vários anos, a ter a segunda maior economia.

Durante o período de transição, a relação entre a UE e o Reino Unido seguirá funcionando sem mudanças para consumidores, empresas, investidores, turistas ou estudantes. Por ora, os britânicos permanecerão no mercado comum e a união alfandegária. Durante estes meses, Bruxelas e Londres deverão estabelecer os parâmetros de sua relação futura, em um período de tempo bem mais breve que o que costuma se dedicar a negociações deste calibre. O bloco comunitário é o primeiro sócio comercial para o Reino Unido e o destino de férias mais frequente entre seus cidadãos.

Defesa

A UE também perde um de seus dois sócios mais destacados no âmbito militar. Além de ser o segundo país que mais investe anualmente em Defesa, o Reino Unido é uma das duas potências nucleares do Velho Continente. Sua saída deixa a França como o único membro da UE com arsenal atômico e o único com representação permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Instituições

Os 73 eurodeputados britânicos despediram-se nesta semana de seus postos. No entanto, só 27 dos assentos que estavam atribuídos ao Reino Unido no Parlamento Europeu serão redistribuídos, os 46 restantes estão reservados para futuras ampliações. Espanha e França serão os dois países que saem mais beneficiados da nova partilha, com mais cinco cadeiras para cada um.

Além da Parlamento Europeu, outras instituições também vão se ver alteradas. Não haverá representação britânica nas cúpulas de chefes de Estado e de Governo. O mesmo vale para ministros britânicos nas reuniões setoriais que se celebrem em Bruxelas. Os juízes britânicos abandonarão o Tribunal de Justiça da UE e seu Tribunal Geral. No entanto, durante o período transitório, os servidores públicos do Reino Unido em Bruxelas poderão manter seu posto, embora já não poderão ser beneficiado de ascensões.

Londres vai continuar pagando todos os compromissos do orçamento comunitário do período 2014-2020. E os cidadãos britânicos que se beneficiam hoje de programas europeus poderão continuar neles até que sejam concluídos.

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