Pandemia de coronavírus

Bolsonaro comemora o Campeonato Paulista no dia em que o Brasil supera 100.000 mortes pela covid-19

Nas redes sociais, o presidente compartilhou também uma mensagem da Secom em que lamenta "as mortes por Covid, assim como por outras doenças" e celebrou "um dos menores índices de óbito por milhão entre as grandes nações"

O presidente Jair Bolsonaro, durante cerimônia em Brasília no dia 5 de agosto.
O presidente Jair Bolsonaro, durante cerimônia em Brasília no dia 5 de agosto.ADRIANO MACHADO / Reuters

No dia em que o Brasil superou 100.000 mortes causadas pela covid-19 e ultrapassou três milhões de contágios pelo novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro optou por celebrar nas redes sociais a vitória do Palmeiras no Campeonato Paulista. Já a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) publicou uma sequência de postagens no Twitter ―devidamente compartilhadas pelo mandatário― nas quais comemora alguns dados da pandemia, dando à expressão “olhar para o copo meio cheio” contornos de desdém num em que os outros Poderes da República (Supremo Tribunal Federal, Senado e Câmara) decretaram luto oficial em memória às vítimas. “São muitos os números que nos dão esperança”, escreveu a Secom, ao responder a uma mensagem de Sergio Moro, ex-juiz e ex-ministro da Justiça do Governo Bolsonaro, hoje desafeto político do presidente. “Lamentamos cada uma das vítimas da covid-19, e de todas as outras doenças”.

Em tom de comemoração, a Secom celebrou “quase 3 milhões de vidas salvas ou em recuperação”, “um dos menores índices de óbitos por milhão entre grandes nações”, além de “um dos países que mais recupera infectados, sempre com índice de recuperação acima dos 95%”.

Em outra sequência, o organismo afirmou em tom de comemoração que o Brasil está em 11º lugar entre os países que mais mata por milhão de habitantes. Com 469 óbitos por milhão de pessoas, o país está atrás de San Marino Bélgica, Reino Unido, Andorra, Peru, Espanha, Itália, Suécia, Chile e Estados Unidos, nesta ordem. A Secom ignora que atrás do Brasil há mais de 200 outras nações com índices melhores. Mas, para o Governo, o país tem “um dos menores índices de óbito por milhão entre as grandes nações”.

Além disso, a Secom também omite o fato de que o Brasil é o segundo país com o maior número bruto de mortes confirmadas, um total 100.477 óbitos, de acordo com o boletim do Ministério da Saúde deste sábado. Está atrás apenas dos Estados Unidos, que já perdeu pouco mais de 165.000 vidas para a covid-19.

O Governo também destacou estar destinando mais de um trilhão de reais “para salvar vidas e garantir o emprego e a dignidade de milhares de brasileiros”. A cifra corresponde à soma dos orçamentos de diferentes áreas, mas não representa os números de fato empenhados para combater o coronavírus. Um exemplo é o próprio Ministério da Saúde: de acordo com o Tribunal de Contas da União, a pasta gastou até julho apenas 29% das verbas destinadas para o combate à pandemia.

Somente nas últimas 24 horas foram registradas 905 novas mortes e 49.970 novas infecções, segundo o Ministério da Saúde. “Para um Governo, muito mais do que palavras bonitas, a melhor forma de mostrar que se importa é trabalhando. Estamos todos do mesmo lado da trincheira na guerra que foi imposta ao mundo todo. E o Governo do Brasil tem trabalhado sem descanso desde o começo”, afirmou ainda a Secom, em resposta ao ex-ministro Moro.

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