Pandemia de coronavírus

Brasil chega à marca de 50.000 mortes por covid-19 com sinais de estabilização de contágio na maioria dos Estados

Apenas Espírito Santo e Paraíba mantêm tendência ascendente do vírus. “É muito prematuro afirmar que essa tendência permanecerá nas próximas semanas”, diz Ministério da Saúde

Pessoas fazem compras em São Paulo, após relaxamento da quarentena.
Pessoas fazem compras em São Paulo, após relaxamento da quarentena.AMANDA PEROBELLI / Reuters

O Brasil supera a marca oficial de 50.000 mortes pelo novo coronavírus neste domingo (21) com sinais de estabilização do contágio em quase todos os Estados e temor em meio à ampliação no relaxamento precoce das quarentenas pelos governos locais. Dos 26 Estados mais Distrito Federal, apenas Espírito Santo e Paraíba mantêm uma tendência de curva ascendente, segundo analisa o mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. A conclusão vem do acompanhamento de novos casos e novos óbitos registrados a cada semana epidemiológica ―um parâmetro internacional adotado na vigilância de doenças contagiosas―, até o dia 13 de junho. Trata-se de uma foto do momento. No entanto, há um receio, de que o cenário pode mudar nas próximas semanas, diante das quarentenas ioiô adotadas por várias capitais.

Na noite deste sábado, o Ministério da Saúde ainda não cravava os 50.000 óbitos – foram 49.976, segundo a divulgação diária — mas o consórcio de jornais brasileiros que apura diretamente com as secretarias estaduais, contava 50.058. A marca numérica é simbólica, em mais um retrato de uma crise sanitária marcada no Brasil por uma gestão errática na Saúde. O boletim epidemiológico da pasta oferece, por sua vez, um cenário que parecia distante para o país até agora, ainda que requeira toda a cautela possível. “Verifica-se que a maioria dos estados apresenta tendência de redução ou estabilização, embora seja muito prematuro afirmar que essa tendência permanecerá ao longo das próximas semanas, com exceção da Paraíba e Espírito Santo, que apresentam um comportamento crescente tanto nos casos quanto nos óbitos”, analisa o documento técnico do Ministério.

Os próximos capítulos da epidemia no Brasil são imprevisíveis, quando o país já soma mais de 1 milhão de casos. Por um lado, o inverno pode agravar o contágio nas regiões Sul e Sudeste, onde historicamente as temperaturas caem nesta época do ano e há uma disseminação mais intensa de doenças respiratórias como a covid-19. Por outro, há o impacto ainda imprevisível do relaxamento das quarentenas nos Estados e as próprias incertezas que ainda cercam o comportamento do novo coronavírus.

A cidade de Manaus, por exemplo, foi um dos principais focos da epidemia no começo da crise e seu sistema de saúde chegou a colapsar. A tendência de estabilização dos novos casos da doença foi observada por semanas, e um hospital de campanha está sendo fechado. Mas nos últimos dias uma nova alta de casos tem deitado a capital outra vez em alerta. Curitiba, no Paraná, chegou a reabrir atividades econômicas em maio diante dos bons números que apresentava. Viu seus casos quadruplicarem em um mês e acabou recuando. Nesta segunda-feira, o Governo do Paraná decidiu restringir até a venda de bebidas alcoólicas e limitar o horário de funcionamento do comércio na tentativa de frear a onda de contágio. As novas regras valerão por pelo menos duas semanas a partir desta segunda-feira.

Mas o Brasil é um país diverso e, com Estados em estágios diferentes da epidemia, governadores vão dando um passo a cada semana e avaliando suas estatísticas para mitigar as respostas para enfrentar o vírus. O Ceará, que vem apresentando uma tendência de estabilização na curva do coronavírus há pelo menos quatro semanas, decidiu dar um passo a mais no seu plano de relaxamento da quarentena e retomada das atividades, pelo menos na capital.

Fortaleza vai permitir, a partir desta segunda-feira (22), a reabertura parcial de igrejas e restaurantes. Templos religiosos poderão funcionar com 20% de sua capacidade, e restaurantes reabrirão em horário reduzido com apenas 40% da força de trabalho. Serviços que já haviam sido parcialmente reabertos, como a construção civil, poderão retomar 100% de seu funcionamento. O Governo argumenta que o plano leva em conta a redução da demanda por assistência médica, a tendência de estabilização da curva de contágio e estudos que tentam desenhar o tamanho da epidemia por amostragem.

Uma pesquisa realizada pela Prefeitura de Fortaleza aponta que 14% da população pode já ter contraído coronavírus e ter anticorpos, que proporcionariam uma proteção natural à doença. O dado indicaria o crescimento da fatia da população que já poderia estar imunizada, mas estudos científicos ainda não conseguem mensurar por quanto tempo essa imunização natural estaria ativa. Por isso, qualquer decisão de relaxamento da quarentena deve ter seus impactos avaliados dia a dia.

A retomada de atividades no Brasil é vista com cautela por epidemiologistas, já que podem provocar um novo aumento de número dos casos. Eles têm destacado a necessidade de a população manter as medidas de higiene e distanciamento social mesmo durante a flexibilização da quarentena. No Ceará, a maioria das cidades segue na fase de transição, a primeira do plano de retomada do Governo. Mas há cidades do interior, como Sobral e Juazeiro do Norte, que seguem com medidas restritivas duras.

A interiorização da doença é uma preocupação que vem sendo destacada frequentemente pelo Ministério da Saúde, uma vez que muitas cidades não têm leitos de UTI, estrutura necessária para tratar os casos graves da covid-19. No último mês, a epidemia do coronavírus migrou com força para o interior. Segundo o Ministério da Saúde, 59% dos casos registrados da doença no país na última semana epidemiológica eram oriundos de municípios do interior. E 48% das mortes já aconteciam fora das capitais.

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