Economia brasileira

Economia brasileira mostra tendência de recuperação e PIB acumula alta de 1% no ano

Atividade econômica avança 0,6% no terceiro trimestre. Consumo das famílias foi um dos motores do crescimento e subiu 0,8%, segundo IBGE

Rafael Neddermeyer (Fotos Públicas)

Mais informações

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,6% no terceiro trimestre frente ao três meses anteriores, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, ligeiramente melhor que o estimado pelo mercado, confirma uma trajetória de recuperação da economia brasileira e foi puxado pela agropecuária, que avançou 1,3%, pela indústria (0,8%) e pelo setor de serviços (0,4%), que possui o maior impacto, pois responde por cerca de dois terços do PIB.

Em relação ao mesmo período do ano passado, a economia cresceu 1,2%. Já no acumulado do ano até o mês de setembro, o PIB subiu 1%, em relação a igual período de 2018. Em valores correntes, o PIB no terceiro trimestre de 2019 totalizou 1,84 trilhão de reais.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias foi um dos motores do crescimento, com alta de 0,8% sobre o período de abril a junho e um avanço de 1,9% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Parte desse consumo foi estimulado pelo início da liberação de recursos antes parados do FGTS, em setembro, e também pelos juros mais baixos.

Os investimentos das empresas (formação bruta de capital fixo) avançaram 2,0%. Já o consumo do Governo recuou 0,4%.

“Na ótica da demanda, os investimentos vêm crescendo, puxado pela construção, que havia caído 20 trimestres consecutivos e desde o trimestre anterior mostra recuperação, quando comparado a igual período de 2018. O consumo das famílias também cresce, enquanto as despesas do Governo –incluindo pessoal e demais gastos, exceto investimentos–, caem em todas as esferas em função das restrições orçamentárias”, analisa a coordenadora de Conta Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Pelo lado da oferta, o consumo das famílias impulsionou os serviços (0,4%). No setor se destacaram as atividades financeiras (1,2%), o comércio (1,1%) e o segmento de informação e comunicação (1,1%).

Já o crescimento de 0,8% na Indústria se deve às indústrias extrativas (alta de 12,0%, puxada pelo crescimento da extração de petróleo) e à construção (1,3%). Recuaram no trimestre eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,9%) e Indústrias de Transformação (-1,0%).

No setor externo, as exportações de bens e serviços recuaram 2,8%, enquanto as importações de bens e serviços cresceram 2,9% na mesma comparação.

Revisões melhoram resultados

O IBGE revisou o resultado do PIB do segundo trimestre para uma alta 0,5%, ante leitura anterior de avanço de 0,4%. Já o resultado dos primeiros três meses do ano foi revisado para uma estabilidade, em vez de queda de 0,1%.

A economia brasileira mostra uma trajetória de recuperação, mas ainda em ritmo lento, sustentada por um maior consumo das famílias, em meio a um cenário de juros mais baixos, inflação controlada e expansão das operações de crédito. O país enfrenta, no entanto, uma série de entraves para uma retomada mais robusta, como a alta taxa de desemprego, que ainda atinge mais de 12 milhões de pessoas, e a incerteza política sobre o avanço das reformas econômicas.

“Do ponto de vista estrutural nós temos uma retomada muito lenta da produtividade e, de fato, neste ano, até o segundo trimestre, o indicador mostrava uma queda da produtividade do trabalho. Ou seja, ainda estamos muito distante de conseguir um crescimento sustentável”, explica Silvia Matos, economista da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) . “O PIB ainda vai demorar para retomar o período pré-crise, provavelmente ficará mais para 2021”, completa.

Para o ano que vem, o mercado trabalha com uma aceleração do ritmo de recuperação da economia. Segundo resultado mais recente do boletim Focus, uma publicação semanal elaborada pelo Banco Central com base nas perspectivas das cem principais instituições financeiras, a projeção é de alta de 2,20%. Essa é a terceira semana seguida de aumento na previsão do indicador. Quanto à previsão do PIB de 2019, os especialistas ouvidos pelo Banco Central elevaram sua estimativa ante a semana passada. O crescimento esperado é de 0,99% ao fim deste ano.