Desemprego no Brasil cai a 11,8% com alta no trabalho por conta própria e informal

Apesar do recuo, 12,6 milhões de pessoas ainda estão em busca de um trabalho no país. Número de pessoas que trabalham sem carteira assinada no setor privado é o maior em sete anos

Homem em busca de trabalho mostra carteira de trabalho em 20 de março.
Homem em busca de trabalho mostra carteira de trabalho em 20 de março.Amanda Perobelli (Reuters)

A taxa de desemprego no Brasil recuou 0,7 ponto percentual (de 12,5% para 11,8%) no trimestre encerrado em julho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada  pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a quarta queda consecutiva, atingindo o menor patamar desde dezembro de 2018. Apesar da queda, o número de trabalhadores que seguem em busca de um trabalho ainda soma 12,6 milhões de pessoas no Brasil.

Segundo o IBGE, o número de ocupados subiu 1,2 milhão puxado principalmente pelo aumento do trabalho informal. No entanto, o total de trabalhadores do setor privado sem carteira de trabalho assinada atingiu 11,7 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012.

Mais informações

A quantidade de trabalhadores por conta própria também atingiu o maior patamar da série: 24,2 milhões de pessoas —alta de 1,4% na comparação com o trimestre anterior (fevereiro a abril de 2019), significando mais 343 mil pessoas neste contingente. Em relação ao ano anterior, o indicador também apresentou elevação (5,2%), um adicional estimado de 1,2 milhão de pessoas. “Desde o início da crise econômica a inserção por conta própria vem sendo ampliada em função da falta de oportunidade no mercado formal. Um dos sinais de recuperação do mercado de trabalho, dada experiências em crises anteriores, é a redução desta forma de inserção, que atingiu o nível mais alto neste trimestre”, segundo explicou o gerente da PNAD Contínua, Cimar Azeredo.

Para trimestres encerrados em julho, a taxa de desocupação é a mais baixa desde 2016.

A taxa de desempregados ficou estatisticamente estável em relação ao mesmo período de 2018. Na comparação de fevereiro a abril de 2019, houve recuo de 0,6 ponto percentual e 0,5 ponto percentual na comparação com o mesmo trimestre de 2018. Em dezembro de 2018, o desemprego foi de 11,6%.

Já a população ocupada (pessoas com trabalho no período analisado pelo IBGE) totalizou 93,6 milhões de pessoas, a maior da série e em alta em ambas as comparações, com elevação de 1,3% sobre o trimestre anterior (findo em abril) e de 2,4% frente a um ano antes.

Na quinta-feira, o IBGE divulgou o crescimento de 0,4% do do Produto Interno Bruto (PIB) em relação ao primeiro trimestre do ano. O avanço das atividades econômicas fez com que país escapasse da recessão técnica. Apesar do avanço no PIB, puxado pelos ganhos de ganhos da indústria (0,7%) e dos serviços (0,3%), o consumo das famílias avançou apenas 0,3%.