Atentado em Londres

Terrorista de Londres foi condenado por tentar colocar bomba no edifício da Bolsa

Condenado no Reino Unido ao equivalente à prisão permanente revista, um tribunal depois reduziu a pena

Imagem de Usman Khan divulgada pela Polícia de West Midlands em fevereiro de 2012.
Imagem de Usman Khan divulgada pela Polícia de West Midlands em fevereiro de 2012.EFE

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Em meio a uma campanha eleitoral, e ainda mais com a relevância e tensão existentes no Reino Unido nesses dias, tudo se lê em modo político. Por isso, diante da comoção latente entre os londrinos poucas horas depois de um novo atentado na ponte de Londres, o candidato conservador, Boris Johnson, questionou nos microfones a frouxidão da resposta penal e penitenciária em relação ao terrorismo. “Devemos abandonar o costume de permitir que os autores de crimes graves saiam logo da prisão. É preciso reforçar o cumprimento das penas impostas a criminosos perigosos, especialmente se são terroristas. Acho que é o que a população quer”, disse o primeiro-ministro antes de se reunir na sexta-feira à noite com o comitê COBRA (que reúne ministérios e agências envolvidos na segurança nacional). 

Usman Khan, de 28 anos, o homem morto a tiros pela polícia na ponte de Londres, foi condenado em 2012 por planejar com outros oito indivíduos um atentado à bomba na Bolsa de Londres. Sua fonte de inspiração era a organização terrorista islamista Al Qaeda. Também sonhavam colocar em funcionamento um campo de treinamento de terroristas na região da Cachemira controlada pelo Paquistão. A polícia e o MI5 (o serviço britânico de espionagem interna) os controlavam e acompanhavam seus passos. A sentença que recebeu tinha uma duração indefinida. No Reino Unido é possível essa indefinição na punição, cumprindo um tempo mínimo. Parecido à figura da prisão permanente revista. O mínimo imposto a Khan foi de oito anos. Um tribunal de apelação reconverteu posteriormente a condenação a uma pena fixa de 16 anos, em 2013. Sujeita a partir de então à aplicação do regime penitenciário de graus, na prática a mudança significou sua libertação condicional e vigiada automaticamente aos oito anos.

Em dezembro de 2018 foi colocado em liberdade, através do trâmite automático de revisão do cumprimento das penas, sem que nenhum juiz e junta de revisão supervisionassem a decisão. “Podemos confirmar que não tivemos envolvimento algum na libertação do indivíduo identificado como o agressor. Ao que parece, foi libertado automaticamente em situação condicional sem que seu caso fosse transferido a essa junta”, afirmou em um comunicado a Parole Board (Mesa de Condicionais), o órgão independente que revisa no Reino Unido os riscos da libertação dos presos antes do tempo.

“Durante sua estadia na prisão, começou a perceber que o pensamento islamista extremista não era correto. E admitiu isso. Criticava a ideologia da Al Qaeda e o extremismo violento. Reconhecia que seu modo de entender o Islã era incompleto”, contou ao jornal The Guardian Vajahat Sharif, o advogado responsável pelo caso de Khan. Ao que parece, de acordo com seu defensor, solicitou diversas vezes algum tipo de ajuda para “se desradicalizar”, que nunca veio.

Khan era obrigado a utilizar o tempo inteira uma pulseira de localização remota, para que seus movimentos fossem controlados. O Instituto de Criminologia da Universidade Cambridge pensou que era o exemplo perfeito para mostrar como funciona o processo de reabilitação. E o convidou à conferência que, sob o título Learning Together (Aprendendo Juntos) organizou na sexta-feira no Fishmonger's Hall, um edifício histórico que em sua época foi sede do Grêmio de Pescadores da City londrina (o núcleo financeiro, jurídico e empresarial da cidade), localizado no lado norte da ponte de Londres.

“Acreditamos que o atentado começou no interior desse edifício, e que o agressor continuou seus ataques em direção à ponte de Londres. Lá foi detido e, posteriormente, ao enfrentar agentes armados, recebeu os disparos”, disse Neil Basu, o responsável pelos Serviços Antiterroristas da Scotland Yard. Khan, de acordo com a polícia, vestia um falso colete bomba e começou a ameaçar centenas de pessoas presentes na conferência que iria explodir o edifício inteiro. Ele amarrou nas mãos duas longas facas com as quais começou a apunhalar indiscriminadamente os participantes. Duas pessoas (um homem e uma mulher) morreram. Alguns veículos de imprensa já identificaram um dos falecidos. Seria Jack Merrit, de 25 anos. Após se formar em Direito na Universidade de Manchester, estudou em Cambridge. Participava como coordenador dos eventos em que Khan esteve presente como convidado. Outras três pessoas (dois homens e uma mulher) permanecem hospitalizadas.

A intervenção de pessoas anônimas que tentaram deter Khan da melhor maneira possível (alguns chegaram a utilizar extintores de incêndio) fez com que sua fuga terminasse na própria ponte de Londres. Dois tiros da polícia acabaram com sua vida. O setor de Assuntos Internos a partir de agora investigará a ação dos agentes que, nas primeiras horas do atentado, receberam os cumprimentos incondicionais dos principais candidatos, Boris Johnson, Jeremy Corbyn e Jo Swinson.

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