O novo herói americano é um cachorro

Cão que participou e foi ferido na operação contra o terrorista Al-Baghdadi recebe os elogios do presidente Trump, que publicou sua foto no Twitter e o convidou à Casa Branca

O mais novo herói americano é “belo” e “talentoso”. No subsolo de uma remota casa na região síria de Idlib, perseguiu por um túnel Abubaker Al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico (EI), o terrorista mais procurado pelos Estados Unidos, até que este, encurralado, detonou seu colete explosivo tirando a própria vida. O herói foi ferido, mas sobreviveu. Seu nome ainda está sob segredo de Estado. Sua idade é desconhecida. E, com a documentação gráfica disponível, um leigo na matéria não consegue distinguir seu sexo. Mas já recebeu um convite à Casa Branca, como informa pelo Twitter a correspondente do The New York Times Katie Rogers. O presidente quer conhecê-lo em pessoa. Ou, mais exatamente, em cachorro.

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“Ele é chamado de K-9”, disse Trump no domingo em seu discurso à nação, em referência ao termo técnico pelo qual os cães do Exército são conhecidos. “Eu o chamo de cão. Um belo cão, um cachorro talentoso, que foi ferido e foi resgatado”.

O cachorro é um pastor belga malinois, raça de cães ágeis e inteligentes, comum entre os animais adestrados pelas forças de segurança. A confirmação veio do Clube Norte-americano de Pastores Belgas Malinois. Cairo, o cachorro que participou do ataque que matou Osama bin Laden em 2011, era da mesma raça. A identidade do cachorro, à época, despertou curiosidade ainda maior do que a dos 80 militares que participaram da operação.

Na solene entrevista coletiva feita na segunda-feira no Pentágono pelo secretário de Defesa, Mark Esper, e o general Mark Milley, chefe do Estado Maior Conjunto, para dar detalhes da operação realizada na noite de sábado, a pergunta pelo estado de saúde e identidade do cachorro não demorou a vir. O general Miller afirmou que o cão “foi levemente ferido e se recupera totalmente”. Por ter voltado ao serviço como parte de uma unidade militar confidencial, acrescentou, não iria revelar sua identidade. Ele também pronunciou palavras elogiosas ao herói quadrúpede: “O cachorro, o canino, o cão militar realizou um serviço espetacular, como todos o fazem em diversas situações”.

Pouco depois, o presidente Trump publicou no Twitter uma foto do cão, com um fundo de tela branca, próprio de um estúdio fotográfico improvisado. Sentado (ou sentada), de olhar vivo, com a língua de fora, veste um arreio militar camuflado, e não apresenta feridas visíveis. Não foi dito onde a foto foi tirada, e se é de antes ou depois do ataque.

“Publicamos uma fotografia do maravilhoso cachorro (nome ainda sob segredo) que realizou trabalho tão bom na captura e execução do líder do EI, Abubaker al Bagdadi”, escreveu o presidente. Alguns jornalistas, ansiosos pelo furo de reportagem, afirmam que se chama Conan. Há a proposta de, até que se retire o sigilo sobre seu nome, que o mundo se refira a ele como Classy, abreviatura livre de classified (confidencial em inglês), que também significa elegante.

O Pentágono e a Casa Branca não deram maiores detalhes além dos fornecidos pelo presidente em seu discurso à nação sobre o papel do cachorro na operação militar. Mas Ron Aiello, especialista no assunto citado pelo The New York Times, dá algumas pistas. “Se estão liderando a patrulha, querem um cachorro que não seja somente um detector de explosivos, e sim um que possa ser agressivo quando ordenado”, diz. A demanda no Exército desses cães especialistas em encontrar explosivos, afirma o prestigioso jornal, cresceu nos últimos anos pela proliferação de ataques terroristas em aeroportos, shoppings e outros espaços públicos. Os especialistas alertam, acrescenta o Times, que há escassez na oferta. O preço de um cachorro totalmente adestrado pode chegar, de acordo com a Bloomberg, aos 283.000 dólares (1,13 milhão de reais).

Chama a atenção, de qualquer modo, o duplo sentido utilizado pelo presidente Trump durante seu inflamado discurso à nação no domingo em relação a esses animais. Ele descreveu, em termos sub-humanos, os últimos momentos da vida de Al Bagdadi. “Morreu como um cão. Morreu como um covarde”, disse. Mas nada teve de covarde, como ele mesmo quis destacar, o comportamento do cachorro envolvido na captura do terrorista.

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