Protestos indígenas no Equador aumentam a pressão contra o Governo

Milhares de manifestantes marcham em Quito para exigir a renúncia de Lenín Moreno, em meio a uma greve nacional. Um setor está disposto a negociar

Manifestantes contra o Governo em Quito.
Manifestantes contra o Governo em Quito.Juan Diego Montenegro/dpa (Juan Diego Montenegro/dpa)

As mobilizações lideradas pelos indígenas no Equador se intensificaram nesta quarta-feira com uma greve nacional que tenta dobrar o Governo de Lenín Moreno. Depois de uma semana de protestos iniciados após um pacote de ajustes econômicos que inclui o aumento do preço da gasolina, milhares de pessoas partiram até Quito para aumentar a pressão. Em meio ao clima de alarme geral, o presidente decidiu transferir na segunda-feira a sede do Executivo para Guayaquil, no litoral, onde a polícia bloqueou a passagem dos manifestantes. No entanto, nesta tarde Moreno retornará à capital com a ministra de Governo, María Paula Romo, e o titular da Defesa, Oswaldo Jarrín, para acompanhar a situação.

Nos últimos dias ocorreram distúrbios, saques, casos de violência e até uma tentativa de ocupação da Assembleia Nacional. Nesta quarta-feira, os indígenas se concentraram no parque Arbolito, em Quito, um palco tradicional de manifestações, em um clima de relativa calma. Por volta das 11 horas locais (13 horas de Brasília), começaram a desfilar pelas ruas rumo ao Palácio de Carondelet, residência do presidente. Do palanque, os líderes indígenas vindos de várias partes do país tentaram incutir calma. “O Governo não tem ninguém para liderá-lo, a Assembleia Nacional não tem ninguém para liderá-la. Então é o povo que tem de liderar. Mas vamos agir com calma, devemos ser respeitosos com nossos dirigentes”, afirmou um dos representantes enquanto até um grupo de freiras da congregação mariana observava a cena.

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Os manifestantes querem a saída do mandatário. Entretanto, há um setor disposto a negociar. “Estamos defendendo o nosso lado. Estas medidas são injustas. Eu, da minha parte, queria dialogar com todo o povo, mas o senhor Lenín Moreno se esconde, vai para Guayaquil”, afirma Ezequiel Gómez, de 40 anos, agricultor da província de Imbabura. Os indígenas, que pertencem à camada mais vulnerável da população, trabalham majoritariamente na lavoura e precisam de combustível para seu maquinário agrícola. Entre as seis medidas anunciadas pelo Governo, que vão da redução de tarifas para a importação de produtos informáticos a uma diminuição dos salários para contratos temporários no setor público, figura a liberalização do preço de gasolina e a eliminação dos subsídios ao combustível. O preço do galão de gasolina (3,8 litros) subiu de 1,85 para 2,22 dólares (ou seja, de 2 para 2,40 reais por litro).

Jaime Vargas, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), prometeu manter a disputa até que o Governo ceda. A organização também decretou uma espécie de estado de exceção nos seus territórios em resposta à violência policial que ele qualificou de “brutalidade e falta de consciência da força pública”. Em um comunicado, as comunidades disseram que os ajustes “afetam o conjunto da sociedade equatoriana e deterioram as condições de vida e existência dos setores populares mais vulneráveis do país”. “Militares e policiais que se aproximarem dos nossos territórios serão retidos e submetidos à Justiça indígena”, advertem.

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