Estado de exceção no Equador

“O Equador está dizendo não a esses golpistas”, diz presidente sobre protestos

Presidente anuncia prisão de quem não respeitar a lei. Negociações não conseguem suspender as mobilizações

Manifestantes e policiais, durante o protesto em Quito.
Manifestantes e policiais, durante o protesto em Quito. (REUTERS)

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“Aqueles que violarem a lei, definitivamente deverão ser presos.” Essa foi a advertência de Lenín Moreno depois de um dia de protestos desencadeados pelo aumento do preço do combustível. O presidente equatoriano, que chamou os organizadores das mobilizações de “golpistas”, viajou na noite de quinta-feira de Quito para Guayaquil, a principal cidade da zona costeira, para fortalecer a presença institucional diante da proliferação de saques e do surgimento de crimes comuns que aconteceram durante o dia de greve nacional dos transportes que motivou a declaração do estado de emergência. À noite ainda havia pontos de tensão em Quito e Guayaquil.

“Minha presença aqui é para evitar que aqueles que saquearam o país continuem saqueando desde outras instâncias”, disse o chefe de Estado depois de reconhecer que o diálogo com o sindicato dos caminhoneiros não chegou a bom termo e que os protestos continuarão nesta sexta-feira. “O Equador está dizendo não a esses golpistas”, disse o presidente, que ordenou a mobilização de policiais e militares para enfrentar protestos violentos.

“Estamos dialogando há muitíssimo tempo. Infelizmente, houve pouca seriedade, o que nos leva a presumir que a intenção é, como se evidencia, desestabilizar o Governo”, concluiu Moreno, apesar de afirmar que, depois de declarar o estado de emergência no meio da tarde, a situação já estava “bastante controlada”.

O relatório da Secretaria de Gerenciamento de Riscos das 15h registrou 281 pontos de concentração de manifestantes em todo o país, 21.500 pessoas mobilizadas, 14 feridos e 215 estradas totalmente fechadas devido aos protestos. O segundo relatório do dia, já à noite, mantinha números semelhantes de comprometimento da rede rodoviária. Três voos internacionais foram cancelados no aeroporto de Quito e não há serviço de transporte em 20 províncias.

Nesta sexta-feira, as aulas serão suspensas novamente para os alunos do ensino fundamental, médio, superior e técnico. A prioridade, segundo a Gestão de Riscos, será conseguir reabrir três das principais rodovias de Quito (a Panamericana Norte, a via Collas e a Ruta Viva), além das rodovias de Sucumbíos, Manabí e Guayas.

O porta-voz do sindicato dos caminhoneiros, Abel Gómez, anunciou que a paralisação do serviço será estendida a esta sexta-feira e que o braço de ferro com o Governo será mantido até que o decreto presidencial que elimina os subsídios ao diesel e à gasolina extra seja retirado. “A posição firme é que o decreto precisa ser revogado. Caso contrário, a medida continua”, disse em uma advertência ao Executivo, por causa do impacto do aumento dos preços em sua atividade. “Como não chegamos a nenhuma conclusão sobre qu estões que devem ser acordadas com o Governo, ratificamos as medidas.”

Com a retirada da ajuda estatal ao consumo de combustíveis, a gasolina extra passou de 1,85 dólar por galão para 2,22. O diesel, combustível habitual do transporte de mercadorias, estava entre um dólar e 1,37 dólar, dependendo do tipo, e agora sobe para quase o dobro, a pouco mais de 2,10 dólares por galão. Ao eliminar esse subsídio, o Governo pretende economizar 1,4 bilhão de dólares por ano (cerca de 5,7 bilhões de reais), como parte de um pacote de ajustes anunciado pelo presidente na noite de terça-feira.

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