Seleção Brasileira Feminina

Os desafios de Pia Sundhage, a primeira estrangeira no comando da seleção brasileira

Técnica sueca assume equipe feminina no lugar de Vadão, demitido depois da queda no Mundial

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O primeiro desafio é preparar o time para a disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Especialista no torneio, Sundhage ganhou duas medalhas de ouro comandando a seleção norte-americana nas edições de 2008 e 2012, ano em que foi eleita a melhor treinadora do mundo. Já na Olimpíada do Rio, em 2016, levou a Suécia ao segundo lugar do pódio depois de eliminar Brasil e Estados Unidos. Como jogadora, a ex-atacante disputou os Jogos de Atlanta, em 1996. Marcou 71 gols em 144 partidas pela seleção sueca.

Paralelamente à formação do grupo que vai tentar um inédito ouro olímpico no ano que vem, Pia Sundhage precisa iniciar os trabalhos de renovação da seleção feminina. Marta, 33, e Cristiane, 34, seguem como principais referências de ataque. Formiga, a atleta brasileira que mais competiu em Olimpíadas e recordista de participações em Mundiais, terá 42 anos nos Jogos de Tóquio. A urgência de rejuvenescer o time, que disputou a última Copa com média de idade de 28 anos, casa com a filosofia da treinadora de desenvolver projetos interligados entre seleção principal e categorias de base, em um ciclo semelhante ao que capitaneou com a Suécia.

Diante dessa necessidade, o maior obstáculo a ser enfrentado pela técnica de 59 anos tem a ver com a própria estrutura do futebol feminino no Brasil, onde torneios e times de base ainda são incipientes. A primeira competição oficial voltada para a formação de atletas surgiu somente em 2017, com criação do Paulista sub-17. O Campeonato Brasileiro sub-18, que começou em julho, se tornou o primeiro organizado e mantido pela CBF. Já a situação das seleções sub-17 e sub-20 é dramática. Ambas estão inativas e sem técnicos, que devem ser definidos com o aval de Sundhage nas próximas semanas.

Outra barreira é o comando masculino no alto escalão da CBF. Coordenador de seleções femininas, Marco Aurélio Cunha está mantido no cargo, embora a equipe principal tenha amargado uma sequência de nove derrotas seguidas em jogos preparatórios antes da Copa. Ele foi o responsável por reconduzir Vadão ao posto de técnico após demitir Emily Lima, primeira mulher a ocupar a função, com apenas 10 meses de trabalho. A treinadora alega que não se sentia respaldada pelo coordenador. Por outro lado, Pia Sundhage conta com a admiração do presidente Rogério Caboclo, que se impressionou com sua trajetória há três meses, quando ela palestrou em um evento na sede da CBF.

No jogo interno por autonomia, a sueca carrega sua bagagem de dedicação exclusiva ao futebol feminino, ao contrário de Vadão – que acumulou quase quatro anos de comando, divididos em suas passagens – e Marco Aurélio Cunha. Eles só tiveram contato com a modalidade ao chegar à seleção. Pia Sundhage prega que os homens devem ser aliados das mulheres na busca por espaço e igualdade no esporte. “Estou muito empolgada em treinar o país do futebol, para alcançarmos juntos o melhor desempenho”, afirmou em um vídeo divulgado pela CBF.

Com contrato de dois anos, a bicampeã olímpica é a primeira treinadora estrangeira efetivada na seleção brasileira, entre equipes masculina e feminina. Foi assim, com olhar de fora e destemido diante de novos desafios, que ela conquistou os maiores títulos de sua carreira à frente das atuais campeãs mundiais.

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