Japão sai à caça de 227 baleias depois de 30 anos de moratória

Primeiros navios baleeiros já zarparam, com a meta de abater 227 cetáceos até o final do ano

Os navios baleeiros japoneses zarparam nesta segunda-feira na primeira caça comercial desses cetáceos em mais de 30 anos. O Japão anunciou no ano passado que abandonaria a Comissão Baleeira Internacional (IWC, na sigla em inglês) e que a partir deste 1º de julho retomaria a captura comercial em sua zona econômica exclusiva. Cinco navios deixaram o porto já nesta manhã (hora local). O objetivo é caçar 227 baleias – 52 da espécie minke, 150 de baleias-de-bryde e 25 baleias-comuns – com fins comerciais até o final de 2019, sempre nas águas territoriais japonesas, segundo as autoridades.

A decisão atraiu uma condenação global pela perseguição à espécie. Ativistas ambientais de vários países insistiram aos líderes reunidos na semana passada na cúpula do G20 em Osaka para que não dessem as costas ao que chamaram de "ataque cruel às baleias".

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As autoridades japonesas alegam que o consumo de carne de baleia é parte da sua cultura, e que a maioria das espécies não corre perigo. Desde 1986, está em vigor uma moratória global contra a caça, mas o Japão desde aquela época pratica a caça no Pacífico Norte alegando fins científicos. Os críticos da medida sempre alegaram que se tratava de uma atividade comercial encoberta. Em 2015, um Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, freou também essa atividade.

"Eu comia baleia quando era jovem, mas anda muito cara ultimamente", diz Sachiko Sakai, de 66 anos, taxista em Kushiro, uma cidade portuária da ilha de Hokkaido (norte do Japão) onde vários navios baleeiros permaneciam atracados neste domingo. "Talvez agora, com a retomada da caça comercial, fique mais barata", espera.

O primeiro-ministro Shinzo Abe, em cujo distrito de origem se encontra o centro baleeiro de Shimonoseki, há tempos aposta na retomada da caça, mas o futuro desse setor não está nada claro. Cerca de 300 pessoas em todo o Japão trabalham diretamente na caça, e a oferta anual de carne de baleia (5.000 toneladas) representa um consumo de apenas 40 a 50 gramas por ano por pessoa.