Peru

Justiça do Peru ordena prisão do ex-presidente Kuczynski pelo caso Odebrecht

Pela ordem, ex-líder deve ficar preso preventivamente durante pelo menos 10 dias por supostos vínculos com a construtora brasileira

O ex-presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski, em março de 2017.
O ex-presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski, em março de 2017.

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O ex-presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski foi detido nesta quarta-feira por volta das 9h15 de Lima (11h15 de Brasília) como parte das investigações por lavagem de dinheiro do caso Odebrecht. O Poder Judiciário do Peru ordenou sua prisão preventiva, por 10 dias, pela suposta participação em duas concessões de obras à construtora brasileira Odebrecht enquanto exercia cargos públicos no país. Agentes da Polícia Nacional entraram nesta manhã em sua casa, de onde um veículo o conduziu ao Instituto Médico Legal para que o ex-presidente fosse submetido a exame de corpo de delito antes de seu confinamento.

A prisão foi ordenada com base em uma investigação pelos supostos pagamentos que a Odebrecht fez a empresas ligadas ao ex-presidente e a seu sócio Gerardo Sepúlveda durante a época em que Kuczynski foi ministro da Administração de Alejandro Toledo − que também tem contra ele uma ordem de busca e captura por seu envolvimento no escândalo. Kuczynski, que em ocasiões anteriores negou qualquer irregularidade relacionada com o caso Odebrecht, comentou por telefone nesta mesma manhã, no programa de televisão Panorama, sobre a ordem de prisão: “Não tenho uma opinião, parece-me ridículo, obrigado”. Seu advogado declarou que a medida é arbitrária e que ele entrará com um recurso.

A Justiça peruana também ordenou a prisão preventiva de Gloria Jesús Kisic, secretária do ex-presidente, e de José Luis Bernaola, seu ex-motorista. A equipe especial da operação Lava Jato da Procuradoria peruana pediu também que sejam autorizadas buscas em quatro imóveis, um deles a casa de Kisic, e três escritórios.

“Não tenho uma opinião, parece-me ridículo, obrigado”, comentou Kuczynski a uma rádio ao ser questionado sobre a prisão

As autoridades já vasculharam dois domicílios de Kuczynski nos bairros limenhos de San Isidro e La Molina em março de 2018, e desde então o ex-chefe de Estado (2016-2017) está proibido de sair do país. Aquelas buscas domiciliares ocorreram um dia depois que Kuczynski renunciou à presidência do Peru, em meio ao escândalo provocado pelas revelações dos pagamentos que tinha recebido de Odebrecht na década passada.

Kuczynski, de 80 anos, foi o primeiro presidente em exercício na América Latina a se demitir do cargo por seus supostos vínculos com a Odebrecht. O caso também atingiu os ex-presidentes peruanos Alejandro Toledo, Alan García e Ollanta Humala, todos sob investigação da Procuradoria. A Odebrecht admitiu em 2016 às autoridades dos EUA que pagou propinas de 29 milhões de dólares (111 milhões de reais) no Peru entre 2005 e 2014.

A construtora fez pagamentos a Kuczynski por consultorias através de duas de suas empresas, Westfield e First Capital, entre 2007 e 2015. Além disso, quando ele era ministro do Governo de Toledo em 2006, assinou um decreto que apoiou financeiramente a construtora brasileira para garantir os pagamentos em um contrato de concessão.

A ordem de prisão preventiva, busca e apreensão se refere à participação de Kuczynski em supostos atos de corrupção nas concessões da Rodovia Interoceânica Sul e do projeto de irrigação Olmos.