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Argélia anuncia que Buteflika deixará a presidência antes de 28 de abril

Governo comunica que o mandatário, que não fala em público há sete anos, abandonará o cargo por motivos de saúde. O presidente do Senado deve convocar eleições em um prazo de 90 dias

Buteflika, em Argel em junho de 2012, em um desfile militar.
Buteflika, em Argel em junho de 2012, em um desfile militar. REUTERS

O presidente argelino, Abdelaziz Buteflika, de 82 anos, apresentará sua renúncia à presidência do país antes de 28 de abril – data do término de seu mandato – por motivos de saúde, informou o Governo em nota nesta segunda-feira. O mandatário, gravemente doente desde que sofreu um derrame cerebral em 2013, não fala em público há sete anos e quase não recebe governantes estrangeiros. A renúncia abre um incerto período de transição – inédito na história do país – tutelado pelo presidente do Senado, Abdelkader Bensalah, que, segundo a Constituição, deve convocar eleições presidenciais em um prazo de 90 dias.

O comunicado da presidência informa que, antes da renúncia, Buteflika “deverá adotar medidas importantes para garantir a continuidade do funcionamento das instituições estatais durante o período de transição”, que começará na data em que ele decidir se afastar. “A renúncia do presidente da República ocorrerá antes de 28 de abril de 2019, data em que finaliza seu mandato”, diz o texto, sem fornecer mais detalhes.

O anúncio da renúncia cumpre as expectativas de uma parte da população, que desde o final de fevereiro sai maciçamente às ruas, toda sexta-feira, para exigir a saída do presidente, no poder há 20 anos. Desde 22 de fevereiro, centenas de milhares de argelinos protestam, de maneira reiterada e inédita, contra um possível quinto mandato de Buteflika, depois que ele anunciou sua nova candidatura.

O mandatário nomeou no último domingo um novo Governo, cujo primeiro-ministro é Nouredinne Bedui. A surpresa é que o vice-ministro da Defesa continua sendo o mesmo: Ahmed Gaid Salah, o homem que pediu o afastamento (por motivos de saúde) do presidente, que por sua vez é seu superior imediato, já que Buteflika também ostenta o cargo de ministro da Defesa. Bedui, o primeiro-ministro, já havia sido nomeado em 11 de março, quando presidente anunciou que não seria candidato a um quinto mandato e que adiava as eleições presidenciais de abril.

O que Buteflika propôs na época foi nomear um novo Executivo e criar uma Conferência que se encarregaria de coordenar a transição. A sociedade civil viu nessa proposta uma manobra para se manter no poder e continuou com os protestos multitudinários nas ruas.

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