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EUA deportam centenas de imigrantes para a América Central sem seus filhos

Pelo menos 463 pais já foram enviados a seus países enquanto seus filhos menores de idade permanecem sob custódia do governo de Donald Trump a milhares de quilômetros

Imigrantes com ordem de deportação, em Texas o 19 de julho.
Imigrantes com ordem de deportação, em Texas o 19 de julho. REUTERS

Os efeitos devastadores da política de tolerância zero de Donald Trump estão longe de serem corrigidos como ordenou a Justiça. O Governo dos EUA já deportou pelo menos 463 pais que haviam sido separados de seus filhos na fronteira em maio e junho. A cifra, admitem as autoridades, é preliminar e ainda pode crescer. A maioria desses pais foi enviada a seus países na América Central enquanto seus filhos, com idades entre 5 e 17 anos, permanecem sob custódia federal nos EUA, a milhares de quilômetros dos seus familiares. O Governo não explicou como ou quando esses menores serão reagrupados.

A notícia sobre o número de pais já deportados salienta a desordem que reina na Administração para cumprir a decisão de um juiz federal que ordenou a reunião de 2.551 menores aos seus familiares até no máximo quinta-feira desta semana.

Na segunda-feira, o Governo informou que havia reunido 879 pais aos seus filhos, e que outros 538 já haviam tido sua reagrupação aprovada. Em resumo, estima-se que até quinta-feira só será possível cumprir a determinação em metade dos casos exigidos pelo juiz, abrangendo crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Antes, esse mesmo juiz havia estabelecido outro prazo mais urgente (10 de julho) para a reagrupação de 103 crianças menores de cinco anos, que tampouco foi cumprido pelo Governo – até o momento, apenas 58 deles estão com seus pais.

A União Americana das Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), uma organização que está ganhando peso político a toda velocidade por seu ativismo na era Trump, afirmou haver indícios de que muitos pais assinaram sua ordem de deportação sob um forte nervosismo por terem sido separados de seus filhos e não receberem a devida assessoria jurídica. A organização dá como certo que localizar os imigrantes deportados em seus países e reuni-los a seus filhos será uma tarefa árdua.

Ao mesmo tempo, a ACLU continua batalhando nos tribunais para frear a deportação de famílias – pais e crianças – já reagrupadas. O juiz do caso acatou há duas semanas o pedido de paralisar temporariamente essa via. Nesta terça, entretanto, o Governo Trump tornou a solicitar autorização judicial para a sua expulsão imediata.

Os problemas para juntar as famílias se devem à implantação abrupta da política de tolerância zero, com a qual Trump, tentando demonstrar pulso firme contra a imigração ilegal, ordenou que todos os imigrantes sem documentos detidos na fronteira fossem processados penalmente.

Isto levou a polícia fronteiriça a separar os que chegavam com seus filhos, porque a lei proíbe que os menores sejam presos em centros de detenção para adultos. Esta nova política começou a ser aplicada de improviso, sem o planejamento adequado, e quando o juiz suspendeu as separações e ordenou a reagrupação das famílias ficou claro o caos da administração, incapaz de reunir pais e filhos com urgência.

Além disso, foi denunciado o mau tratamento dispensado a alguns menores sob custódia, expostos a frio intenso e recebendo comida e água em mau estado. E os pais, segundo denúncias de congressistas democratas, chegam a pagar até oito dólares por minuto nos centros de detenção para poder falar por telefone com seus filhos.

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