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Advogado de Trump gravou o presidente discutindo pagamento a ex-modelo da ‘Playboy’

Karen McDougal diz ter mantido um relacionamento com o republicano entre 2006 e 2007, quando ele já estava casado com Melania e havia tido um filho com ela

Michael Cohen e Donald Trump.
Michael Cohen e Donald Trump. AFP

Michael Cohen, há muito tempo o leal advogado pessoal de Donald Trump, está se tornando cada vez mais uma fonte de problemas para o presidente norte-americano. Dois meses antes das eleições de novembro de 2016, vencidas pelo republicano, Cohen gravou em segredo uma conversa com Trump em que eles discutem pagamentos à ex-modelo da Playboy Karen McDougal, que diz ter mantido um relacionamento amoroso com o magnata imobiliário, conforme relatou o The New York Times nesta sexta-feira, citando a pessoas conhecedoras do caso. Um dos advogados de Trump, Rudy Giuliani, confirmou a existência da conversa gravada, mas destacou que o pagamento em troca do silêncio da modelo nunca foi concretizado.

O FBI encontrou a gravação em abril, ao cumprir um mandado de busca no escritório de Cohen em Nova York. O Departamento de Justiça investiga o advogado por possível violação da lei eleitoral, caso tenha feito pagamentos a mulheres para silenciar informações comprometedoras na reta final da campanha eleitoral de 2016.

Cohen admitiu ter pagado 130.000 dólares (490.000 reais, pelo câmbio atual) em 2016 à atriz pornô Stormy Daniels para evitar que ela divulgasse a relação sexual que teria mantido com Trump. A atriz moveu uma ação judicial para romper o acordo de confidencialidade que a impede de contar o suposto caso.

Trump nega ter mantido uma relação extraconjugal com Daniels e McDougal. A ex-modelo da Playboy afirma que entre 2006 e 2007 teve uma aventura sexual de 10 meses com Trump, que nesse momento já estava casado com Melania e havia tido um filho com ela, Barron.

Não há informações de que McDougal tenha recebido um pagamento direto de Cohen. Segundo Giuliani, Trump pediu a Cohen que, caso esse pagamento chegasse a ser feito, fosse efetuado em cheque, para que existisse uma prova documental. “É uma poderosa prova de inocência”, disse ele ao Times.

O que se sabe é que McDougal vendeu por 150.000 dólares os direitos de sua história à American Media Inc., empresa que edita o jornal de fofocas The National Enquirer e cujo presidente, David Pecker, é amigo de Trump. O verdadeiro objetivo não era publicar essa história, e sim ter a exclusividade para que ela nunca contasse o caso a outro veículo. McDougal moveu uma ação para romper o acordo com a American Media, alegando que o assinou sob pressão e com base em informações enganosas. A ex-modelo também acusa Cohen de negociar esse pacto de forma secreta, algo que está sendo investigado pelo FBI.

A novela ameaça crescer politicamente. A gravação acentua os riscos para Trump, que já vive acossado pelas investigações do promotor especial Robert Mueller sobre a ingerência russa na campanha de 2016. Como seu advogado pessoal, Cohen conhece muitos dos segredos do presidente e de seu círculo íntimo, como os bastidores de seus investimentos empresariais e se ele deve favores a alguém. Ao contrário de seus antecessores, Trump se recusa a divulgar suas declarações de renda, por isso boa parte da origem de sua fortuna é um mistério.

O maior medo do mandatário é que Cohen decida cooperar com os investigadores e comece a falar, algo que há poucas semanas sugeriu que podia ocorrer, quando afirmou numa entrevista que sua maior lealdade é com sua família. Não é insólito pensar que as investigações sobre o advogado possam derivar em assuntos de maior envergadura e mais ameaçadores para Trump, sobretudo porque foi Mueller quem deu a pista ao FBI para que indagasse sobre os pagamentos de Cohen às mulheres.

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