Jornalista mexicano é assassinado a golpes em Tamaulipas

Corpo do repórter Héctor González Antonio foi achado em uma estrada de terra perto da fronteira com os EUA

O corpo do repórter Héctor González Antonio.
O corpo do repórter Héctor González Antonio.

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O jornalista Héctor González Antonio foi assassinado a golpes, confirmou o Ministério Público do Estado de Tamaulipas (norte do México), há anos assolado pelo crime organizado e o narcotráfico. O corpo do correspondente do jornal Excélsior nessa região foi achado nesta terça-feira em uma remota estrada de terra. Estava seminu, ensanguentado e com múltiplos golpes. González Antonio, que também escrevia para veículos locais, foi o sexto jornalista assassinado desde o começo de 2018 no México.

Até o momento se desconhecem as causas do homicídio, que será investigado pelo Ministério Público. González Antonio também era colaborador de rádios e da TV Monterrey, afiliada da rede mais importante do México no vizinho Estado de Nuevo León. O jornalista era casado e tinha dois filhos. O governador de Tamaulipas, Francisco Cabeza de Vaca, externou suas condolências através de sua conta do Twitter, prometendo que "sua morte não ficará impune".

A violência contra comunicadores é especialmente grave no norte do México. Há apenas quatro dias foi noticiado o assassinato de Alicia Díaz González, de 52 anos, repórter colaboradora dos jornais El Financiero e Reforma na cidade de Monterrey, vitimada por um golpe na cabeça. Agora, a 284 quilômetros, em Ciudad Victoria, Tamaulipas, este novo assassinato engrossa as cifras de violência em um Estado há anos marcado pelo conflito entre o crime organizado e as autoridades federais. Só em 2017 foram registrados 1.053 homicídios dolosos nesse Estado, um aumento de 23% em relação a 2016, segundo a Secretaria do Governo.

Correspondentes, apresentadores de televisão, fotojornalistas – todos eles já foram vítimas da violência no país. Ela afeta a categoria em todo o México, mas especialmente os repórteres que trabalham no interior. Dos nove assassinados neste ano, nenhum vivia na capital. De acordo com a organização Artigo 19, durante a administração do presidente Enrique Peña Nieto 43 jornalistas perderam a vida. A ONG Repórteres Sem Fronteiras considerou a Síria e o México como os países mais perigosos do mundo para o exercício do jornalismo.

"O México se tornou um dos países mais perigosos para exercer o jornalismo, não hoje, não ontem, há pelo menos 10 anos. O risco para o exercício do jornalismo não ocorre hoje com o assassinato de Héctor, vem ocorrendo há uma década, e apesar de todos estes anos não foram suficientes as medidas de proteção e de prevenção que se deram aos jornalistas. Não foram suficientes as investigações", afirma Balbina Flores, representante da Repórteres Sem Fronteiras no México. Ela exigiu que os assassinatos de jornalistas sejam esclarecidos.