Artes plásticas

As mil artimanhas de Rubens Matuck

Livro 'Tudo É Semente', editado pelo Sesc, apresenta a obra múltipla do artista paulistano

Aquarela extraída de um dos cadernos de viagem do artista
Aquarela extraída de um dos cadernos de viagem do artistaRubens Matuck

Ao mesmo tempo que Matuck tem um acervo de mais de 300 cadernos de viagens – relatos pictóricos que são verdadeiras obras de arte, alguns já publicados em formato de livro – do Brasil; também criou uma série de artistas plásticos heterônimos, cada um com seu estilo, que fazem relatos de planetas longínquos, existentes apenas na imaginação de Matuck. Isso para ficar apenas em dois exemplos. Para organizar essa intensa produção, as edições Sesc lançam o livro Tudo É Semente, assinado pela curadora de arte Rosely Nakagawa, com quem o artista é casado há 45 anos, que procura condensar toda essa trajetória em uma espécie de biografia emocional e artística.

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Com centenas de fotos de época, imagens de exposições, quadros, desenhos, esculturas e instalações de Matuck, as mais de trezentas páginas do livro são entremeadas por um relato escrito por Nakagawa e textos e artigos de quem estudou ou foi próximo do artista durante a vida, como o músico Luiz Tatit, o escritor Milton Hatoum e o estudioso Norval Baitello Junior. O diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, escreve na abertura: “Ler este livro é percorrer, sem roteiro fixo, a inquietação de um artista cujo aprendizado de uma técnica leva ao estudo de outra, a quem o entendimento de um processo leva ao encontro de outra cultura e assim por diante”.

Matuck começou sua carreira antes dos 18 anos, em 1969, como desenhista do Jornal da Tarde, durante os anos de ouro do periódico vespertino, em que a inventividade gráfica e de texto eram uma marca única. Pouco tempo depois, conheceria o artista plástico Aldemir Martins que expandiu seu mundo. Ainda adolescente, Matuck foi incentivado por Martins a pintar, mas, sobretudo, a conhecer o Brasil e sua realidade. Ali, nasceu uma preocupação constante em toda obra do artista: conhecer seu país, suas riquezas, defender e, principalmente, entender o meio ambiente que aqui se habita.

O artista plástico Rubens Matuck
O artista plástico Rubens MatuckDivulgação

Bem ao estilo do processo de aprendizado e formação descrito pelo diretor do Sesc, Matuck foi juntando as orientações de Aldemir com outras coisas, em um processo nada metódico e, sim, de acumulação e experimentação. Da pintura em tela, passou para aquarela; da aquarela, para a escultura em madeira. Jovem, entrou na FAU, onde, ao lado de Nakagawa e um grupo de amigos – entre eles, o escritor Milton Hatoum – fundou a João Pereira, uma pequena editora artesanal que serviu, entre outras coisas, como um treino para os cadernos de viagem que faria durante suas andanças pelo Brasil, mas também por outros países. Os anos subsequentes foram de muita pesquisa artística e de experiências em diferentes campos: escreveu e ilustrou livros infantis, organizou exposições e se transformou em exímio conhecedor de madeiras.

“Rubem no singular, nunca poderia dar conta da multiplicidade do Rubens, no plural. Ao falarmos do Rubens, o Matuck, sempre é necessário falar dos vários Rubens que compõem sua personalidade. Esses diversos Rubens cresceram juntos e souberam, desde cedo, que desenhar poderia ser uma forma de inter-relacionar seus mundos também múltiplos”, escreve Nakagawa. Agora, o livro Tudo É Semente é uma porta possível para esses múltiplos Rubens, que, ao longo dos anos, têm se espraiado por diferentes áreas e técnicas.

Lançamento do livro

Cerimônia de lançamento acontece nesta quarta-feira, 25 de abril, das 19h30 às 22h, no Sesc Pompeia, em São Paulo, com conversa entre Rosely Nakagawa, o escritor Milton Hatoum e o crítico Norval Baitello Jr. Outro evento, também em uma unidade do Sesc, será divulgado em breve.

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