Demanda de maconha legal no Uruguai é maior do que a oferta

Aumenta o apoio social à lei, de acordo com nova pesquisa, mas os problemas de fornecimento limitam os efeitos da legalização sobre o mercado clandestino

A tensão provocada em Roraima, no norte brasileiro, pelo grande fluxo de venezuelanos que entram diariamente pela fronteira ganhou mais um ingrediente. A Venezuela, que garante o abastecimento elétrico do Estado que que é a principal porta de imigrantes, ameaça cortar o fornecimento de energia e deixar mais de 500 mil pessoas sem luz. O motivo é a falta de pagamento de uma dívida de cerca de 33 milhões de dólares (135 milhões de reais), mas não se trata de uma questão de dinheiro. A estatal brasileira afirma que não consegue pagar a sua contraparte venezuelana porque as sanções impostas pelo Governo Donald Trump ao regime Nicolás Maduro estão dificultando as operações de bancos estrangeiros com a Venezuela.

O aviso sobre a possibilidade de corte de fornecimento, que pode acontecer já início do mês de setembro, enviado ao Governo brasileiro foi revelado pelo jornal Valor Econômico. Segundo fontes do Ministério de Minas e Energia confirmaram ao EL PAÍS, os dois bancos centrais estão conversando para chegar a uma solução para fazer a transferência. O chanceler Aloysio Nunes afirmou, nesta semana, que o Brasil negocia com Caracas e propôs um encontro de contas para resolver a situação. "Nós somos credores da Venezuela numa importância muito maior que esses 40 milhões de dólares", disse Aloysio Nunes à agência France Presse. O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, respondeu via Twitter: "Aqui outra irrefutável demonstração do efeito perverso do bloqueio contra a Venezuela", queixou-se.

Enquanto os movimentos diplomáticos ainda se desenrolam, cresce a apreensão na população de Roraima, que além da pressão nos serviços públicos provocado pelos novos usuários, vê todo o drama ser explorado politicamente em plena campanha eleitoral brasileira.  “Caso ocorra o noticiado corte de energia será instalado um caos institucional em Roraima, inclusive com real risco de falência nos serviços públicos de saúde, agravando ainda mais a crise humanitária decorrente da imigração venezuelana”, escreveu a governadora do Estado, Suely Campos, em documento que cobra uma solução de Michel Temer.

Em 2012, quando o processo se iniciou, até 70% da população se declarava contrária à lei

Roraima vive atualmente uma rotina de interrupções constantes no fornecimento de energia e os apagões estão se tornando mais frequentes conforme escala a crise na Venezuela, que também sofre com blecautes em algumas regiões. Durante os dias em que esteve no Estado, a reportagem do EL PAÍS presenciou episódios de falta de luz, inclusive no hospital de Pacaraima, o principal ponto da fronteira. Segundo a Eletrobras Distribuição Roraima, em 2017, foram registrados 33 desligamentos de energia, enquanto neste ano, até o mês de agosto, já foram 41. Todas os desligamentos registrados nos anos de 2017 e 2018 foram causadas pela Interligação Brasil/Venezuela.

Atualmente, 44% é a favor e 41% contra, de acordo com a pesquisa do Monitor Cannabis

A prefeita da capital de Roraima, Boa Vista, Teresa Surita, afirma que a cidade sofre uma média de três a quatro picos de luz por dia. "O Governo federal não olha para gente como deveria no sentido de melhorar nossa infraestrutura. Como vamos desenvolver um Estado sem energia?", disse a prefeita ao EL PAÍS. "Há anos lutamos por uma interligação com o sistema nacional, por uma questão que ninguém entende não pode passar uma linha de transmissão numa reserva indígena, mas passa uma estrada", questiona.

Entre a população também circula o temor de que a Venezuela corte de uma hora para outra a energia como represália ao ataque violento de alguns brasileiros, que destruíram acampamentos de venezuelanos na fronteira, no último dia 18. "Há essa ameaça latente de que a Venezuela corte a luz e a venda de gasolina caso ações de outros grupos anti-imigrantes triunfem. Sem energia e sem gasolina, Pacaraima vira uma cidade cadáver", diz Jesús Fernández, padre da Paróquia da cidade fronteiriça de 12.000 habitantes.

O Governo garante que não há riscos de falta de energia em Roraima, já que, caso ocorra a interrupção, a estatal brasileira Eletrobras teria condições de suprir a necessidade energética do Estado, ativando termelétricas. Essa alternativa mais poluente, no entanto, teria custos elevados. O megawatt/hora da energia produzida em termelétrica é muito mais caro que o gerado em hidrelétrica, por exemplo, que vem da Venezuela.

A tarefa de resolver definitivamente o problema, entretanto, não é simples. A solução mais discutida é a construção de uma linha de transmissão que conectará Manaus a Boa Vista, uma obra que atravessa territórios indígenas, necessitando do aval das etnias, um caso que se encontra na corte suprema brasileira. Para tentar destravar o empreendimento, o Governo de Michel Temer autorizou na semana passada um licenciamento ambiental que não adentram a área indígena.

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