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EUA expulsam 60 diplomatas russos pelo caso do espião envenenado

A medida foi adotada em represália pelo envenenamento de um ex-espião no Reino Unido.

Decisão afeta 48 funcionários da embaixada e 12 da missão da ONU em Nova York

Donald Trump e Vladimir Putin na reunião do G-20 em Hamburgo, em julho de 2017.
Donald Trump e Vladimir Putin na reunião do G-20 em Hamburgo, em julho de 2017. AP

Os Estados Unidos ordenaram nesta segunda-feira a expulsão de 60 diplomatas russos acusados de espionagem, em retaliação pela tentativa de assassinato do ex-espião Sergei Skripal com gás nervoso em território de seu aliado, o Reino Unido, que responsabiliza Moscou pelo atentado. Esses supostos agentes de inteligência e suas famílias têm um prazo de sete dias para deixar o país. A medida afeta 12 funcionários da missão russa nas Nações Unidas, em Nova York, e 48 da embaixada em Washington e outras representações. A Administração de Donald Trump também pediu que Moscou feche seu consulado de Seattle, no noroeste do país, alegando sua proximidade com a fábrica de aviões da Boeing e com uma base de submarinos.

Outros Governos europeus, assim como o Canadá, anunciaram expulsões nesta segunda-feira, praticamente ao mesmo tempo. Trata-se de uma ação coordenada de países aliados contra a Rússia em um momento de grande tensão com o país governado por Vladimir Putin, acusado do atentado no Reino Unido e também de várias interferências na Europa e nos Estados Unidos com a intenção de minar a confiança nas instituições. O clima é semelhante ao da Guerra Fria. "Os Estados Unidos estão adotando esta medida em coordenação com os nossos aliados da OTAN no mundo, em resposta ao uso de uma arma química militar pela Rússia no território do Reino Unido, o [caso] mais recente em seu padrão contínuo de desestabilizar a atividade no mundo", destacou a Casa Branca em comunicado.

Em 4 de março, o ex-espião russo Skripal e sua filha foram envenenados na cidade britânica de Salisbury, com gás nervoso produzido na Rússia. O Governo de Theresa May acusou formalmente a Rússia pelo envenenamento e ordenou a expulsão de 23 diplomatas, bem como a suspensão de todos os contatos de alto nível com Moscou. Embora nenhuma relação tenha sido encontrada, a tensão aumentou com a morte do exilado russo Nikolai Glushkov em 12 de março, em sua casa em Londres, um caso que a polícia investiga como homicídio.

Nos Estados Unidos, esta é a segunda grande rodada de expulsões de diplomatas russos em um ano e meio. Em dezembro de 2016, nos últimos dias da era Obama, a Casa Branca impôs duras sanções devido à interferência russa na eleição presidencial, expulsando 35 agentes de inteligência e seus familiares ligados à embaixada de Washington e ao consulado de Los Angeles. Também foi ordenado o fechamento imediato de dois centros de propriedade do Governo russo em Nova York e em Maryland, bem como penalidades para entidades e outros cidadãos.

Desta vez, há mais agentes de inteligência prestes a serem expulsos, mas o presidente dos EUA continua demonstrando afinidade com Putin. Ao mesmo tempo, paradoxalmente, a nova estratégia de segurança dos EUA marca de forma contundente a China e a Rússia como grandes ameaças, em uma linguagem que lembra a Guerra Fria.

A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse que os diplomatas expulsos "estavam envolvidos em atividades de espionagem que são adversas à nossa segurança nacional". "A decisão do presidente mostra que as ações da Rússia têm consequências", disse Haley. "Além de exercer uma conduta desestabilizadora no mundo todo, de ser cúmplice nas atrocidades na Síria e de ações ilegais na Ucrânia", diz, "usou armas químicas nas fronteiras de um de nossos aliados mais próximos", acrescentou.

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