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Ex-espião russo Sergei Skripal e a filha foram envenenados com “agente nervoso”

Polícia enfatiza que Sergei Skripal, condenado por alta traição, foi vítima de tentativa de assassinato por envenenamento

agente nervioso
Imagem de Sergei Skripal captada em uma loja em Salisbury, no dia 27 de fevereiro AP

O ex-espião russo Sergei Skripal, condenado em 2006 por revelar a identidade de outros agentes russos e um refugiado no Reino Unido, e sua filha Yulia foram envenenadas deliberadamente com gás nervoso. Assim afirmou a polícia britânica, que diz ter identificado a toxina utilizada, mas evitou dar mais detalhes sobre a natureza exata da substância a que ambos foram expostos no domingo em um shopping center em Wiltshire, no sul da Inglaterra, e devido à qual permanecem em estado crítico.

Skripal e a filha – 66 e 33 anos, respectivamente –, foram vítimas “de uma tentativa de assassinato pela administração de um agente nervoso”, disse o chefe da polícia antiterrorista britânica, Mark Rowley, durante uma entrevista coletiva em Londres. O primeiro policial a chegar ao banco onde os dois estavam inconscientes, revelou Rowley, também está “gravemente doente” no hospital por ter sido exposto à substância.

Mlitar russo com patente de coronel, Skripal foi condenado por “alta traição por espionagem” a 13 anos de prisão por ter passado ao serviço de inteligência britânico, o MI6, a identidade de agentes russos que trabalhavam secretamente na Europa. Em julho de 2010 foi libertado em uma troca de espiões entre a Rússia e os Estados Unidos e levado ao Reino Unido, onde manteve perfil baixo por oito anos.

As análises químicas das amostras e os efeitos nas vítimas apontam para uma sofisticada toxina nervosa, como o gás sarin ou o VX. É considerada uma arma de destruição em massa pela ONU e sua fabricação é proibida pela Convenção sobre Armas Químicas, exceto para fins de pesquisa, médicos ou farmacêuticos. Essa foi a substância usada para matar Kim Jong-nam, irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un, em fevereiro do ano passado em Kuala Lumpur.

“Tendo determinado que a causa dos sintomas é um agente nervoso, também posso confirmar que as duas pessoas que adoeceram foram alvos específicos de um ataque”, apontou Rowley, que disse que não há indícios de risco para a saúde pública. A investigação está em andamento e a polícia pediu a colaboração dos cidadãos para procurar testemunhas dos fatos, enquanto analisa as gravações das câmeras de segurança do shopping center The Maltings.

O ministro do Interior, Amber Rudd, presidiu nesta quarta-feira de manhã uma reunião do comitê interministerial de emergência Cobra e depois enfatizou a importância de que o Reino Unido responda às evidências que surgirem no caso, que está atualmente nas mãos da unidade antiterrorista da Scotland Yard.

O Governo pede para que não se tirem conclusões precipitadas, mas mal dissimula as suspeitas de que a inteligência russa esteja por trás de um ataque que lembra o que foi realizado em 2006 e acabou com a vida de Alexander Litvinenko, outro ex-espião russo envenenado em solo britânico, cuja investigação oficial culpou o Kremlin.

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