Oscar 2018

As apostas do Oscar 2018

Uma análise de cada categoria dos prêmios da Academia de Hollywood para adivinhar quem vai levar as estatuetas

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Chegou a hora. Após estudar cada categoria, ousamos prever o futuro e dizer quais são os favoritos ao Oscar deste ano. Não pela qualidade nem pelo nosso gosto pessoal, mas pelo desempenho dos filmes na temporada de prêmios. Confira aqui a lista:

Melhor filme: A Forma da Água, de Guillermo del Toro. Por quê? Porque venceu os prêmios do Sindicato de Produtores e do Sindicato de Diretores. Mas, cuidado: existem muitas dúvidas, pois Três Anúncios para Um Crime ganhou o Bafta, e o ruído sobre o possível plágio de Del Toro pode arruinar a carreira do longa do mexicano. O jornal Los Angeles Times aposta nessa opção, enquanto Indiewire, The Hollywood Reporter e Variety apoiam Del Toro.

Melhor direção: Guillermo del Toro, por A Forma da Água. Por quê? Porque ganhou todos os prêmios nesse quesito, incluindo os do Sindicato de Diretores e o Bafta. Assim, o trio de mosqueteiros mexicanos teria conseguido seu respectivo Oscar nessa categoria.

Melhor atriz: Frances McDormand, por Três Anúncios para Um Crime. Por quê? Porque ganhou o Bafta, o prêmio do Sindicato de Atores, o Critics’s Choice, o Independent Spirit e o Globo de Ouro.

Melhor ator: Gary Oldman, por O Destino de Uma Nação. Por quê? Porque ganhou o Bafta, o prêmio do Sindicato de Atores, o Critics’s Choice e o Globo de Ouro.

Melhor atriz coadjuvante: Allison Janney, por Eu, Tonya. Por quê? Porque ganhou o Bafta, o prêmio do Sindicato de Atores, o Critics’s Choice, o Independent Spirit e o Globo de Ouro. Nós, fãs de Nos Bastidores do Poder, aplaudiremos este momento.

Melhor ator coadjuvante: Sam Rockwell, por Três Anúncios para Um Crime. Por quê? Porque venceu o Bafta, o prêmio do Sindicato de Atores, o Independent Spirit, o Critics’ Choice e o Globo de Ouro... como os anteriores, menos Oldman. Isso infelizmente deixa de fora Willem Dafoe, um gigante em Projeto Flórida.

Melhor roteiro original: Três Anúncios para Um Crime, de Martin McDonagh. Por quê? Jordan Peele ganhou o prêmio do Sindicato de Roteiristas com Corra!,, mas isso porque McDonagh não podia competir. E no meio – segundo as últimas listas – não parece que tenha um rival.

Melhor roteiro adaptado: Me Chame Pelo Seu Nome, de James Ivory. Por quê? O experiente cineasta será o ganhador mais veterano da história, com 89 anos (o roteiro vem dando voltas por aí há muito tempo), se Agnés Varda não vencer em sua categoria (a francesa é oito dias mais velha que o californiano). Ele levou o prêmio do Sindicato de Roteiristas e o Bafta.

Melhor filme estrangeiro: Uma Mulher Fantástica (Chile), de Sebastián Lelio. Por quê? Porque fez uma belíssima campanha nos EUA. Já O Insulto é menos favorito. Pode até ter ganhado espaço nos últimos dias, mas... Quanto a Ruben Öslund e seu The Square – A Arte da Discórdia, nem sequer a Palma de Ouro o ajudará. O outro adversário com poder, o russo Sem Amor, nunca realmente conquistou – ao que parece – os acadêmicos. Portanto, o Chile ganhará seu primeiro Oscar após levar também, na noite de ontem, o prêmio de melhor filme internacional dos Independent Spirit.

Melhor animação: Viva – A Vida é Uma Festa, de Lee Unkrich e Adrián Molina. Por quê? Aqui não há dúvidas. Estatueta para a Pixar.

Melhor documentário: Ícaro, de Bryan Fogel. Por quê? Porque a Netflix está fazendo muita campanha por um documentário sobre o esporte, justamente agora que acabam de terminar os Jogos Olímpicos de Inverno. E embora Últimos Homens em Aleppo seja demolidor, nesta categoria a outra grande opção é Visages, Villages, de JR e Agnès Varda. Assim haveria dupla homenagem para Varda, que este ano figura entre os quatro cineastas homenageados com o Oscar de Honra.

Melhor fotografia: Roger Deakins, por Blade Runner 2049. Por quê? Porque a Academia deve isso a ele, e Deakins, um mestre, ainda não obteve a estatueta apesar de ter sido candidato em outras 13 ocasiões. A Sociedade Americana de Diretores de Fotografia e o Bafta já o premiaram.

Melhor trilha sonora original: A Forma da Água, de Alexander Desplat. Por quê? Os cinco finalistas são de alto nível, mas a era Williams acabou. Desplat é o gênio atual, e com A Forma da Água ganhará seu segundo Oscar.

Melhor montagem: Dunkirk, de Lee Smith. Por quê? O Sindicato de Montadores lhe deu o prêmio em sua categoria de drama... e de tudo o que é já bom no filme de Nolan, a montagem sobressai ainda mais.

Melhores efeitos visuais: Blade Runner 2049, de J. Nelson, G. Nefzer, P. Lambert e R. R. Hoover. Por quê? A Sociedade de Efeitos Visuais distribui um monte de prêmios, e já houve para todos. Mas todos os filmes da saga Planeta dos Macacos perderam nesse quesito e a Academia não os aprecia, de forma que o caminho está livre para Blade Runner 2049.

Melhor design de produção: A Forma da Água, de P. D. Austerberry, S. Vieau, J. A. Melvin. Por quê? Porque eles ganharam no Sindicato de Diretores de Arte e no Bafta, mas Blade Runner 2049 está à espreita...

Melhor figurino: Trama Fantasma, de Mark Bridges. Por quê? Porque se um filme sobre moda não ganhar... Piadas à parte, A Forma da Água venceu o prêmio do seu Sindicato no quesito figurino de época, e minha suspeita é que nesta categoria o voto vai para Trama Fantasma.

Melhor maquiagem e cabelo: O Destino de Uma Nação, de K. Tsuji, D. Manilowski e L. Sibbick. Por quê? Porque nessa categoria só há outras duas opções. E ainda que maestros como Rick Baker digam que o grande trabalho é o de Extraordinário, os especialistas nesse tema são apenas 3% do total de votantes. A Academia gosta de transformações de atores em personagens reais, e ao recordar como Gary Oldman é na vida real... o Sindicato de Estilistas e Maquiadores deu dois de seus prêmios a O Destino de Uma Nação.

Melhor mixagem de som: Dunkirk, de G. Landaker, G. Rizzo e M. Weingarten. Por quê? A Cinema Audio Society lhes deu seu voto, e em geral os filmes de guerra levam a estatueta.

Melhor edição de som: Dunkirk, de R. King e A. Ginson. Por quê? O sindicato dessa categoria profissional deu ao filme um de seus dois grandes prêmios. Embora o outro tenha sido para o rival Blade Runner 2049, apostamos na dupla vitória de Dunkirk.

Melhor canção original: Remember Me, de Viva – A Vida é Uma Festa, de Robert López e Kristen Anderson-López. Os compositores de Frozen parecem ganhar por pouco a competição, nos últimos dias, contra This is Me, de Justin Paul e Benj Pasek (a equipe de La La Land), de O Rei do Show. Aqui a disputa é bem equilibrada, segundo os jornais especializados.

Melhor curta de animação: Dear Basketball, de Glen Keane e Kobe Bryant. Por quê? Porque Keane é considerado um dos grandes profissionais de animação da Disney dos anos oitenta e noventa, e porque Kobe Bryant é o herói local. O curta ilustra com branco e preto e púrpura e dourado (as cores do Los Angeles Lakers) um poema sobre amor ao basquete de Bryant. E foi projetado pela primeira vez no dia em que sua camiseta foi “aposentada”.

Melhor curta de ficção: DeKalb Elementary, de Reed van Dyk. Por quê? Porque se inspira num tiroteio num colégio de Atlanta.

Melhor curta documentário: Heroin(e), de Elaine McMillion Sheldon. Por quê? Porque foi muito promovido pela Netflix e porque fala sobre a atual epidemia de opioides que assola os Estados Unidos.