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Presidente das Filipinas recomenda disparar contra vagina de guerrilheiras: sem ela, “são inúteis”

Organizações locais e internacionais censuram comentário do presidente das Filipinas; porta-voz lhe defende dizendo que “é divertido, é preciso rir um pouco”

Rodrigo Duterte durante conferência de imprensa em Davao, na ilha de Mindanao. 
Rodrigo Duterte durante conferência de imprensa em Davao, na ilha de Mindanao.  AFP

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, fez um discurso para 200 ex-guerrilheiros, durante o qual recomendou que os soldados adotem o nível de crueldade da milícia comunista do Novo Exército do Povo (NEP) e disparem contra a vagina das guerrilheiras, porque, sem ela, "são inúteis". O comentário foi condenado por organizações locais e internacionais.

"Digam aos soldados que têm uma nova ordem. Não vamos matá-las. Só vamos disparar contra a vagina. Sem a vagina, são inúteis", disse Duterte em seu discurso em 7 de fevereiro no Palácio de Malacañang, diante de ex-membros do NEP  que está nas listas de grupos terroristas classificados pelos Estados Unidos e União Europeia , de acordo com a transcrição oficial do discurso, revelado nesta segunda-feira. A transcrição censura a palavra vagina, mas a mídia filipina confirmou que foi pronunciada.

Emmi De Jesús, porta-voz em Manila do partido feminino Gabriela  com dois assentos no Parlamento , denunciou as declarações que "confirmam que (Duterte) é o macho-fascista mais perigoso do Governo", segundo informações do portal filipino Politiko.

"É apenas a última de uma série de declarações misóginas, depreciativas e degradantes sobre as mulheres", denunciou a organização Human Rights Watch. "Incentiva as forças de segurança a cometer crimes sexuais durante um conflito armado, o que constitui uma violação do Direito Internacional Humanitário", acrescentou a HRW.

Um porta-voz de Duterte, Harry Roque, afirmou que os que criticam as declarações não têm senso de humor. "Às vezes, essas feministas exageram um pouco. É divertido. Vamos lá, só é preciso rir um pouco", acrescentou.

O presidente filipino, de 72 anos, um mulherengo confesso e conhecido por seus habituais discursos fora do tom, já foi motivo de polêmica em numerosas ocasiões por seus comentários sobre as mulheres.

Antes de chegar à presidência, em junho de 2016, provocou fortes protestos por contar uma piada sobre uma freira australiana estuprada e assassinada durante um motim em uma prisão, em 1989. Em maio de 2017, afirmou em tom jocoso que os soldados poderiam estuprar três mulheres sem ser punidos e, alguns meses depois, voltou a fazer piada sobre o estupro da vencedora do concurso Miss Universo. No mês passado, disse que ofereceria 42 virgens para cada turista que visitasse o país.

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