Presidente filipino admite que matou “pessoalmente” supostos criminosos

Duterte afirma que o fez durante patrulhas como prefeito em Davao

O presidente filipino Rodrigo Duterte, durante uma visita a Camboja.
O presidente filipino Rodrigo Duterte, durante uma visita a Camboja. SAMRANG PRING (REUTERS)

O presidente das Filipinas Rodrigo Duterte admitiu ter matado supostos criminosos quando era prefeito de Davao “para dar exemplo”. Durante um discurso a empresários no qual explicava sua guerra contra as drogas, em que já foram assassinados mais de 5.800 supostos traficantes ou usuários, Duterte afirmou: “Em Davao costumava fazer isso pessoalmente, só para mostrar aos rapazes [refere-se aos policiais] que, se eu posso, eles também podem”, informa a France Presse.

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Duterte, de 71 anos, deu mais detalhes: “Eu percorria Davao de motocicleta, numa moto grande, e patrulhava as ruas procurando onde havia problemas. O que procurava, na verdade, era uma briga para poder matar”, disse a um grupo de expatriados filipinos no Camboja, onde se encontra em viagem oficial.

O presidente filipino respondia, assim, às críticas feitas por grupos de direitos humanos a sua política de combate às drogas e ao crime. Esses grupos afirmam que, durante os anos em que foi prefeito de Davao, os chamados esquadrões da morte assassinaram mais de 1.000 supostos criminosos, incluindo menores envolvidos em pequenos delitos.

Desde que Duterte chegou ao poder em junho passado, a polícia revelou que 2.086 pessoas morreram nas operações antidrogas e 3.800 pessoas foram assassinadas por “indivíduos não identificados”, informa a France Presse. Diante dos pedidos para cessar a guerra contra as drogas, Duterte respondeu: “Sinto muito, mas não vou fazer isso”.

A Human Rights Watch (HRW) pediu a Duterte que retire uma série de ameaças proferidas contra os advogados de defesa dos narcotraficantes e reafirme o direito desses suspeitos à assistência judiciária e ao devido processo legal.

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