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Carnaval de rua de São Paulo cresce e bate o Rio em número de blocos

Prefeitura espera quatro milhões de pessoas para os 491 blocos que já começam no pré-carnaval

Blocos de carnaval SP
Bloco no Rio de Janeiro no sábado, 27. REUTERS

São Paulo terá 491 blocos desfilando pela cidade no período do próximo sábado, 3, até o dia 18 de fevereiro, datas do pré-carnaval, carnaval e pós-carnaval. A festa nas ruas da capital paulista vem crescendo anualmente - em 2017 foram 391 blocos - e neste ano, pela primeira vez, passou o Rio de Janeiro em número de blocos. Na cidade administrada por Marcelo Crivella (PRB), 473 blocos desfilarão no mesmo período. 

"Já é o segundo maior Carnaval do Brasil: 4 milhões de pessoas estarão nas ruas de São Paulo", disse o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB). Além dos trajetos, número de blocos e a quantidade de pessoas esperada, o prefeito também anunciou que 10.000 banheiros químicos estarão nas regiões onde os blocos passarão. E que haverá uma equipe fiscalizando os que burlarem a lei e fizerem xixi nas ruas. A multa para quem for pego é de 500 reais. "Mas tenho certeza que a população vai utilizar os banheiros químicos e fazer o que precisa fazer no local certo", disse Doria.

O desafio de Doria é evitar os problemas que a cidade experimentou em 2017. No ano passado, então recém-eleito, o prefeito admitiu, ainda no pré-carnaval, que a Prefeitura não havia se preparado o suficiente para receber as milhares de pessoas que pularam pelos blocos. "Houve preparação inferior ao que deveria ter sido", disse Doria. "Falhamos, deveríamos ter previsto mais público", admitiu, diante de 750.000 foliões contabilizados, somente no fim de semana do pré-carnaval. A Prefeitura havia previsto 250.000 naqueles dois dias.

Na contabilidade da Prefeitura não entraram os diversos blocos que já desfilaram ou marcaram ensaios abertos nas ruas nos últimos finais de semana. Para os próximos dias, os blocos estarão divididos da seguinte forma: durante três finais haverá 183 desfiles na zona oeste, 125 no centro, 74 na zona norte, 54 na zona leste e 55 na zona sul. Somente no pré-carnaval (03 e 04 de fevereiro) serão 187 desfiles pela cidade.

Manifesto contra a repressão

A Prefeitura afirma contar com a colaboração dos blocos para encerrar a festa no horário combinado. Há duas semanas, o bloco Minhoqueens, no Bixiga, terminou com repressão policial, bombas e balas de borracha nas ruas da região, algo que vem ocorrendo nos últimos anos na região central e em bairros como a boêmia Vila Madalena. O medo da repressão levou a moradores, frequentadores e comerciantes da Praça Roosevelt escrever um manifesto pedindo "paz no Carnaval". "Levando em conta o histórico dos anos anteriores e episódios ao longo do ano passado (...), não queremos ações truculentas e violentas, nem que a praça e seu entorno vire palco de uma guerra civil", diz o texto, assinado por coletivos, blocos e personalidades como o diretor de teatro Zé Celso, a escritora e psicanalista Maria Rita Kehl, o ex-prefeito Fernando Haddad e a ex-primeira dama, Ana Estela Haddad.

Sobre a dispersão, Doria afirmou que foi feito um acordo com os blocos e os comerciantes locais. "Acredito que todos vão respeitar", disse. Mas não mencionou ações policiais nas regiões do centro ou da Vila Madalena, por exemplo. Sobre este bairro especificamente, estão proibidos os desfiles de blocos e a presença de ambulantes, e permitido somente o funcionamento do comércio local. A Prefeitura criou uma Zona Especial de Atenção (ZAE) no quadrilátero entre as ruas Wisard, Girassol, Inácio Pereira da Rocha e Simão Álvares, onde o acesso será restrito a 5.000 pessoas. Não será permitida a entrada de veículos e pessoas portando garrafas de vidro e bebidas alcoólicas.

Já os desfiles foram proibidos em 43 vias entre a Vila Madalena e Pinheiros. Segundo Doria, "a grande novidade deste ano" são os desfiles que ocorrerão na avenida 23 de maio, na zona sul da cidade. Os blocos maiores foram todos levados para lá, numa medida polêmica, já que alguns blocos já aconteciam tradicionalmente em outros pontos da cidade. O bloco Soviético, por exemplo, que desde 2013 desfilava na região da avenida Paulista, teve seu percurso negado pela Prefeitura e cancelou sua participação no carnaval deste ano.

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