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Cidades europeias saturadas de turistas se unem contra o Airbnb

Grupo quer que a empresa compartilhe os dados de clientes, o que pode levá-la a perder receitas

Madri, Barcelona, e outras seis cidades europeias se uniram para exigir medidas que evitem os efeitos perversos do aluguel turístico. Querem que a Comissão Europeia obrigue a plataforma de locação Airbnb a compartilhar os dados de seus clientes. Uma medida que poderia acabar com o negócio porque a empresa cobra um percentual da reserva e poderia perder receita se os turistas passassem a entrar em contato diretamente com os locadores.

Airbnb
Usuários do serviço Eurostar, que une Londres e Paris através do túnel do Canal da Mancha, em foto de 2009

O aluguel de apartamentos por meio da plataforma Airbnb revolucionou o setor. As prefeituras de Madri, Barcelona, Bruxelas, Paris, Cracóvia, Viena, Reikjavik e Amsterdã querem propor barreiras. Por isso, pedirão à Comissão Europeia que obrigue esse tipo de empresa a revelar a identidade dos proprietários que oferecem as residências e a compartilhar seus dados.

Representantes das oito cidades enviarão uma carta a Bruxelas expressando o desejo de manter o equilíbrio entre o fluxo de turistas e a proteção dos moradores dos bairros afetados. A decisão foi adotada durante uma conferência sobre Renda Turística Europeia, realizada esta semana na capital holandesa. Berlim e Londres se ausentaram, mas receberão a proposta, para o caso de quererem apoiá-la. A Airbnb não foi convidada e emitiu um comunicado afirmando que “trabalha com mais de 300 prefeituras para esclarecer as regras dos aluguéis administrados. Enquanto outras empresas, como a HomeAway, Tripadvisor, Expedia e o Booking.com nada fazem, nós defendemos um crescimento responsável”.

Laurens Ivens, vice-prefeito de Amsterdã e anfitrião do encontro, argumentou que sua proposta não é nada disparatada. “Em virtude da proteção de dados, o Regulamento Europeu permite que o Airbnb e as demais mantenham o anonimato do responsável pela casa e dos endereços no aluguel. Todos os produtos têm normas de qualidade e só pedimos o mínimo exigível: um registro com um número para saber quem aluga, que pode ser incluído na página da Internet da empresa”. A cidade acaba de fixar em 30 dias anuais estes aluguéis, por isso Ivens observa que o problema “não é o turismo, mas o volume de visitantes”. Em 2008, Reikjavik recebeu 450.000 pessoas. “Agora, são 2,5 milhões anuais, e sem regulamentação será inabitável”, afirma Sigurdur Bjorn Blondal, vice-prefeito da cidade. O problema é que o Airbnb e seus homólogos recebem um porcentual da renda pactuada e podem perdê-lo se o turista checar o nome do dono da casa e negociar diretamente com ele.

Hotéis ilegais

“Um turismo de hotel com um complemento de outro tipo de alojamento está certo, mas não com imóveis que podem operar como hotéis ilegais. Em Madri há cerca de 90.000 camas disponíveis e os preços por quarto são dos mais baixos da Europa. Mas onde há mais turistas do Airbnb e similares do que moradores, os aluguéis sobem. E os inquilinos tradicionais têm problemas. De modo que a colaboração destas plataformas é essencial”, avalia Miguel Sanz Castedo, diretor de Turismo da Prefeitura de Madri.

Por sua vez, Sergi Marí i Pons, gerente de empresa e turismo da Prefeitura de Barcelona, indica que "os efeitos secundários dessa onda turística também geram oportunidades”. “Nós tentamos reduzir o impacto atual em áreas como Las Ramblas ou o Parque Guell, criando outros focos de interesse. E se antes cada cidade negociava por sua conta com essas empresas, o fato de atuar como uma rede e recorrer à Comissão Europeia evitará as diferenças”, diz, no De Burcht, o edifício do antigo sindicato de lapidadores de diamantes, sede da reunião.

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