Violência em Malta

Polícia de Malta prende dez suspeitos pelo assassinato da jornalista Daphne Caruana

Os presos são de nacionalidade maltesa e possuem antecedentes criminais

A polícia e especialistas forenses no local da explosão em 16 de outubro.
A polícia e especialistas forenses no local da explosão em 16 de outubro.

A polícia de Malta prendeu nesta segunda-feira dez pessoas suspeitas do assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia, segundo informou o primeiro-ministro maltês Joseph Muscat. Caruana Galizia, que morreu quando uma bomba explodiu em seu carro em outubro passado, participava da investigação que atingiu o Governo do país em meio ao escândalo dos Panama Papers.

Os dez presos são de nacionalidade maltesa e têm antecedentes criminais, segundo Muscat, que não ofereceu mais detalhes. Os agentes agora têm 48 horas para interrogá-los e decidir se eles ficarão detidos ou se serão liberados.

O carro em que a jornalista viajava explodiu perto das 15h em 16 de outubro, perto da casa de Caruana. A polícia explicou que a bomba era extremamente forte e que o veículo, um Peugeot 108, estava despedaçado e espalhado pela área.

Mais informações

Malta, com 420.000 habitantes e membro da União Europeia (UE) desde 2004, se orgulha -- com crescimento do PIB de 5,5% no ano passado, de acordo com o FMI -- de ser um dos países mais florescentes do bloco. Mas também é cenário de assassinatos brutais. O de Caruana Galizia foi o sexto carro-bomba registrado em 18 meses na ilha que, por outro lado, tem baixas taxas de criminalidade. Todos os casos estão pendentes de uma resolução.

O crime contra a jornalista voltou a centrar as atenções no primeiro-ministro Muscat, do Partido Trabalhista, citado, juntamente com sua esposa e outros membros do Executivo, em muitas denúncias. E, portanto, também um dos primeiros nomes na hipotética lista de interessados no desaparecimento de Caruana Galizia.

No início do ano, a prestigiosa revista Politico citou Caruana entre as "28 personalidades que estão mexendo com a Europa", descrevendo-a como um "WikiLeaks inteiro em uma única mulher, que empreendeu uma cruzada contra a falta de transparência e corrupção em Malta".