Independência da Catalunha

Acusado de sedição, presidente destituído da Catalunha se refugia na Bélgica

Puigdemont e cinco ex-secretários fugiram para Bruxelas poucas horas depois serem acusados por crime de rebelião, sedição e desvio de dinheiro público

Carles Puigdemont na sexta-feira passada no Parlamento catalão.
Carles Puigdemont na sexta-feira passada no Parlamento catalão.Manu Fernandez (AP)

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O ex-presidente da Generalitat (como é intitulado o Governo da Catalunha) Carles Puigdemont viajou para Bruxelas (Bélgica) a partir de Marselha (França) acompanhado de cinco ex-secretários de seu Governo, informou a agência de notícias EFE. Puigdemont e os ex-membros de seu Executivo foram de carro da Catalunha até Marselha e, nessa cidade, pegaram um avião até a capital belga. O episódio ocorre poucos dias após o Governo da Espanha destituir as autoridades da Catalunha, que haviam aprovado no Parlamento catalão uma resolução que dava início ao processo de independência unilateral da região.

Puigdemont e os cinco ex-secretários se deslocaram para Bruxelas um dia após o ministro de Asilo e Migração belga, Theo Francken (do partido nacionalista flamenco N-VA), ter provocado ampla polêmica ao abrir a possibilidade de concessão de asilo ao ex-presidente, oferta logo depois negada pelo primeiro-ministro, Charles Michel. Os cinco ex-secretários que acompanham Puigdemont são Meritxell Borràs, que ocupava a pasta de Governo (PDeCAT); Antoni Comín, ex-responsável pela Saúde (ERC); Joaquim Forn, que cuidava do Interior (PDeCAT); Dolors Bassa, que cuidava de Trabalho e Assuntos Sociais (ERC); e Meritxell Serret, que ocupava a pasta de Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (ERC). A viagem veio a público poucas horas depois de o procurador-geral do Estado, José Manuel Maza, ter anunciado a existência de uma ação judicial formal contra Puigdemont e todos os ex-membros do Governo catalão por crime de rebelião, sedição e desvio de dinheiro público.

Luís Llach, deputado do Junts pel Sí, considera Puigdemont um “exilado”. “O muito honrado presidente da República exilado é uma denúncia contra ‘Ñ’ [Espanha] perante as instâncias europeias e internacionais e expressa a força do 1 de outubro”, escreveu o parlamentar no Twitter.

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O ex-presidente da Generalitat catalã divulgou na manhã desta segunda-feira no Instagram uma fotografia na qual sugeria que estava dentro do Palau de la Generalitat (sede do Governo). Junto à imagem, ele escreveu um breve “bom dia”. O aspecto do céu de Barcelona nesta segunda-feira cedo, porém, não correspondia ao exibido nessa imagem por Puigdemont. Poucas horas depois, soube-se que o ex-presidente já estava em Bruxelas.

A representação catalã perante a União Europeia, cujo responsável assumiu nesta segunda-feira a destituição por parte do Executivo espanhol, afirmou que não tem informações sobre a viagem de Puigdemont e seus ex-secretários, nem sobre uma eventual aparição pública.

O partido nacionalista flamenco N-VA se negou a confirmar ou a desmentir se representantes seus se reuniram com o ex-presidente da Generalitat. Fontes desse partido informaram à agência Efe que, “por enquanto”, não serão feitos comentários sobre a questão.

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