Temer passa mal e diz que ficará em repouso por uns dias

Presidente fez procedimentos urológicos em Hospital das Forças Armadas de Brasília nesta quarta

Michel Temer passa mal
Temer deixa o hospital com a mulher, Marcela. AP

Era para ser um dos dias mais tensos em Brasília com a votação da segunda denúncia por corrupção contra o presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados, mas um abalo na saúde do presidente conseguiu elevar ainda mais a voltagem do dia. Pouco depois das 14h,  os deputados que se reuniam na Câmara foram avisados pelo vice-líder do Governo, o deputado Carlos Marun (PMDB-RS), que Temer “teve um mal-estar e foi encaminhado para exames” nesta quarta-feira, 25 de outubro. O presidente foi levado ao Hospital das Forças Armadas onde, segundo a assessoria do presidente, ele passou por "uma sondagem vesical de alívio por vídeo", que consiste na passagem de uma sonda pelo canal urinário com o objetivo de esvaziar a bexiga. Temer recebeu alta às 20h desta quarta-feira e, em seu Twitter, anunciou que a orientação médica é que ele fique de repouso "pelos próximos dias".

O estado inspirou cuidados por conta da idade do mandatário, de 77 anos. Duas estratégias chegaram a ser traçadas pelo Planalto caso o presidente precisasse sofrer algum procedimento. Uma era encaminhá-lo para São Paulo — a aeronave presidencial estava a postos para atendê-lo. A outra era trazer o seu cardiologista Roberto Kalil Filho, que trabalha na capital paulista, para Brasília.

As primeiras informações oficiais sobre o mal-estar de Temer vierem por meio de nota: “O presidente Michel Temer teve um desconforto no fim da manhã de hoje e foi consultado no próprio departamento médico do Palácio do Planalto. O médico de plantão constatou uma obstrução urológica e recomendou que fosse avaliado no Hospital do Exército, onde se encontra para realização de exame e devido tratamento”, divulgou sua assessoria.

A notícia do encaminhamento do presidente ao hospital das Forças Armadas quebrou o clima do dia, quando integrantes da oposição e da base governista disputavam a atenção dos deputados presentes. Enquanto os opositores faziam discursos contra o presidente e pressionavam seus pares a não registram a presença, no plenário os governistas os chamavam de “fujões”. Ainda não havia quórum suficiente para a votação – é necessário um mínimo de 342 – e por isso ela não havia começado. A notícia da saúde de Temer causou surpresa e criou um clima de especulações infindáveis, até que o Planalto liberou a nota oficial sobre o estado de saúde do presidente.

Antes disso, nada indicava qualquer desconforto. Nesta manhã, o presidente esteve negociando com interlocutores diante da iminência da votação no plenário. Acusado pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa, Temer testou nesta quarta a fidelidade da sua base, que, como em agosto, o livrou da possibilidade de responder a um processo no Supremo. Dois dos principais ministros do Governo, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), também são acusados de comporem o chamado quadrilhão do PMDB, que supostamente se beneficiou de desvios que atingem os 587 milhões de reais de contratos públicos, segundo a acusação, baseada em investigação da Polícia Federal. Tanto os peemedebistas acusados quanto o presidente negaram as acusações.

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