Na véspera de analisar denúncia, Maia dispara contra o PMDB de Temer

Disputa por descontentes do PSB são, pela segunda vez, a razão das queixas do presidente da Câmara. “A gente não pode ficar levando facada nas costas do PMDB”, afirmou.

Denúncia contra Temer
Temer e Maia no Rio, no dia 15. Getty Images

Pela segunda vez em pouco mais de dois meses, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um fiel aliado do Governo Michel Temer, voltou a disparar críticas contra o partido do presidente da República, o PMDB. O motivo é o mesmo de antes, o avanço de peemedebistas com assentos no Palácio do Planalto sobre um grupo de aproximadamente dez deputados descontentes com o PSB que negociam a filiação ao DEM. O que preocupa os aliados de Temer é que nesta quinta-feira chegou ao Legislativo mais uma denúncia criminal contra o mandatário e, como o calendário da Casa é definido por Maia, há a possibilidade de ele complicar a vida do presidente.

O presidente da Câmara poderia, por exemplo, acelerar prazos, marcar votações para momentos em que os defensores do Governo estivessem ausentes ou deixar de ser governista, sem se declarar opositor. Em última instância, poderia ser para Temer o que o que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi para Dilma Rousseff (PT). Enquanto presidiu a Câmara, Cunha era um adversário de Rousseff e impulsionou o impeachment dela.

Deputados com bom trânsito tanto entre opositores e governistas dizem que ainda é cedo para se fazer essa comparação. Mas, se Temer não intervier no seu partido, poderá haver uma cizânia até então inimaginável. Se chegar a esse ponto, cresceria a possibilidade de que a denúncia contra o presidente pelos crimes de obstrução de justiça e participação em organização criminosa ser aceita pela Câmara. Hoje, há um consenso de que essa acusação seria rejeitada, assim como outra já foi no início do mês de agosto.

“A gente não pode ficar levando facada nas costas do PMDB, principalmente de ministros do Palácio e do presidente do PMDB”, afirmou Maia. Ele reclamou também de que, em muitas ocasiões, seu partido tem sido tratado como adversário, não como aliado e isso poderia interferir em propostas governistas. “Há uma revolta muito grande na bancada, não virou rebelião ainda”, completou.

A queixa principal de Maia é em relação à atuação dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) e do líder do Governo no Senado, Romero Jucá, que também preside o diretório nacional do PMDB. Recentemente, devido à interferência desse trio o senador Fernando Bezerra Coelho se desfiliou do PSB e ingressou no PMDB. Seu filho, o deputado federal licenciado e ministro das Minas Energias, Fernando Coelho Filho, fará o mesmo em março do ano que vem, quando será aberta a janela de migração de partidos para deputados e vereadores.

Um sinal de alerta se acendeu no Governo quando, na noite de quarta-feira, Maia se reuniu com os três senadores peemedebistas Kátia Abreu e Renan Calheiros, que são críticos do Governo, e o presidente do Senado, Eunício Oliveira. No encontro, do qual também participou o deputado opositor Orlando Silva (PCdoB-SP), uma série de queixar contra a gestão Temer vieram à tona. O recado que Maia quer dar a Temer é: se a tentativa de enfraquecer o DEM continuar, ele não se responsabilizará pela falta de apoio aos projetos do Executivo que chegarem à Câmara.

Quando assumiu a presidência da Câmara, Rodrigo Maia tinha como uma das missões partidária fortalecer sua legenda com vistas à eleição nacional de 2018. A ampliação do número de parlamentares antes mesmo do pleito é uma de suas metas. A outra, seria, juntamente com outros caciques da legenda, encontrar um nome capaz de compor a chapa presidencial, seja ele o candidato à presidência ou a vice. “A gente espera que o PMDB entenda tudo o que o DEM fez pelo Governo até agora, tenha respeito por nós e tire os pés da nossa porta”, afirmou Maia.

Para tentar chegar a um consenso com os deputados do DEM, Temer deverá nos próximos dias se encontrar com Maia. Em julho, ele foi pessoalmente na casa do presidente da Câmara para um jantar no qual o assunto discutido é o mesmo que o atual. Na ocasião, ninguém lhe abriu a porta, foi o próprio Temer quem teve de fazê-lo.

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