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Com ventos de 280 km/h, furacão Maria se fortalece e ameaça devastar Porto Rico

“O ciclone será muito violento. Nossa vida corre perigo”, diz governador da ilha

Furacão maria
Preparativos para a chegada do furacão María em San Juan, capital de Porto Rico. AFP

Porto Rico prende a respiração. O furacão Maria avança para seu território com categoria 5 (máxima potência) e já alcança ventos regulares de 280 quilômetros por hora, apenas 15 a menos do que foi registrado há duas semanas com o furacão Irma – a maior tempestade já observada no Atlântico –, segundo o último relatório do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos. O Maria varreria as Ilhas Virgens na noite de terça e, segundo cálculos dos meteorologistas, entrará em Porto Rico às 8h desta quarta (9h em Brasília), atravessando a ilha de ponta a ponta, a começar pelo município de Guayama, na costa sudeste. Trará consigo ventos impetuosos, chuvas torrenciais e forte ressaca, com inundações. A ilha poderá sofrer uma catástrofe. Depois, se o ciclone seguir o rumo previsto, irá em direção norte, roçando talvez o leste da República Dominicana, mas poupando o Haiti, Cuba e a península da Flórida. Entre 5 e 11 de setembro, o furacão Irma – o mais potente na história do Atlântico – já deixou mais de 80 mortos e danos incalculáveis no Caribe e Flórida. Antes que essas regiões consigam se reerguer, já sofrerão o açoite do Maria.

O atual furacão atingiu a ilha de Dominica na madrugada de terça-feira, devastando-a e deixando-a incomunicável. Pela manhã, chegou ao arquipélago de Guadalupe com uma tromba d’água, ventos fortes e muitos raios, deixando pelo menos um morto e dois desaparecidos em um naufrágio.

Para Porto Rico, um Estado associado aos EUA que vive uma crise devido ao seu endividamento de 120 bilhões de dólares e vê sua juventude migrando em massa para os Estados Unidos, o María poderá ser um golpe fatal. Na manhã de terça-feira, o governador da ilha, Ricardo Rosselló, conclamou a população a seguir as instruções de segurança, com o objetivo prioritário de evitar vítimas. “[O furacão] vai impactar Porto Rico inteiro com uma força e uma violência que não vemos há várias gerações”, disse, acrescentando que as casas vulneráveis, com tetos de zinco ou madeira – numerosas em uma ilha onde quase metade da população vive na pobreza – poderão não resistir. Por isso, Rosselló pediu aos seus concidadãos que, em vez de se aferrarem a seus lares, procurem refúgios nos albergues. “Se não estivermos seguros, nossa vida corre perigo. As propriedades podem ser consertadas, as vidas não têm como ser substituídas”, afirmou. Porto Rico abriu 500 refúgios com capacidade para mais de 100.000 pessoas e iniciou a desocupação de zonas costeiras.

A força destruidora do Maria ficou demonstrada nesta terça-feira. Dominica (73.000 habitantes) ficou em ruínas. O primeiro-ministro da ilha, Roosevelt Skerrit, relatou no Facebook que “o vento arrasou os tetos das moradias de quase todas as pessoas com quem conversei ou que contatei de outra maneira. O teto de minha própria residência oficial foi um dos primeiros a voar”. Em Guadalupe (um arquipélago pertencente à França, com mais de 400.000 habitantes), a situação foi igualmente dantesca. “Tudo treme ao meu redor”, contava, durante o temporal, Victorin Lurel, ex-ministro francês de Ultramar, descrevendo “chuvas infernais, com um vento que não cessa há horas e relâmpagos por todo lado”.

Na segunda-feira, o Maria se transformou subitamente num aterrador monstro ciclônico que está golpeando o Caribe no rastro de destruição do Irma. De domingo para segunda-feira, ele passou da força 1 para a 5, a categoria máxima na escala Saffir-Simpson, o que o torna “extremamente perigoso”, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA.

As projeções de rota do Maria indicam que ele não atingirá a península da Flórida nem qualquer outra área continental dos EUA. Um braço do furacão passará a leste da República Dominicana. O Haiti parece estar a salvo, assim como Cuba. Os arrecifes cubanos, destroçados pelo vento, e Havana, que sofreu inundações históricas, estariam fora do caminho do María.

Porto Rico declarou estado de emergência na segunda-feira. Rosselló disse que este novo ciclone será “mais devastador que o Irma” para o seu território. “Nunca antes ocorreu um evento como este”, acrescentou. “O Maiía pode ser o pior em um século na ilha, pior inclusive que o furacão San Felipe, de 1928.” O Irma passou a 80 quilômetros da costa de Porto Rico, e ainda assim seus efeitos deixaram ao menos três mortos e um milhão de pessoas sem eletricidade. O Maria, que tem menos tamanho que o Irma, mas intensidade similar, atingirá a ilha diretamente.

O furacão poderá causar inundações de meio metro por causa das chuvas, provocando mais estragos do que outras grandes tempestades que já se abateram sobre a ilha, como os furacões Hugo, em 1989, e George, em 1998. “A tormenta poderia ser catastrófica para nossa ilha”, disse Ernesto Morales, do Serviço Meteorológico de Porto Rico, à agência AP. Diante do panorama desolador desse país em bancarrota financeira e vítima dos furacões, prevê-se que nas próximas semanas a ilha receba uma visita do presidente dos EUA, Donald Trump, que, por outro lado, sempre se pronunciou contra uma ajuda financeira de Washington a San Juan pela questão do endividamento.

Outra tortura para as Pequenas Antilhas

Antes de chegar a Porto Rico, o Maria atingiria as Ilhas Virgens britânicas e norte-americanas. Na terça-feira, a Universidade de Miami usou um voo privado para retirar 72 professores, alunos e funcionários de um campus avançado nas Ilhas Virgens Americanas. As chamadas Pequenas Antilhas já sofreram o primeiro golpe do furacão, duas semanas depois de o Irma arruinar três quartos das moradias em ilhas como Barbuda e Sant Martin, que se tornaram quase inabitáveis.

O Maria passou muito devagar pelas Pequenas Antilhas, a apenas 14 quilômetros por hora, e essa demora em ir embora o torna mais destrutivo. Dominica, Martinica – menos afetada, segundo os primeiro relatos – e Guadalupe foram as primeiras a sofrerem danos. As seguintes a receberem o furacão foram as ilhas Saint Kitts e Nevis e Montserrat (pertencente ao Reino Unido). O Centro Nacional de Furacões dos EUA informou que o María poderia produzir “uma perigosa tempestade e ondas grandes e destrutivas” que elevariam o nível do mar em 1,2 a 1,8 metro ao passar pelas ilhas Sotavento. Além disso, os meteorologistas prognosticaram inundações por chuvas de até 51 centímetros na quarta-feira nessas ilhas, em Porto Rico e nas Ilhas Virgens.

Um segundo furacão, o José, também está ativo no Atlântico e motivou alertas de tempestade tropical no nordeste dos Estados Unidos.

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