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Com protestos e bloqueios pontuais em grandes cidades, paralisações são menores que última greve geral

Bancários e professores devem parar, mas metrô e trem decidiram em assembleia não aderir às mobilizações

Greve 3006
Membros do MTST ocupam o Aeroporto de Congonhas. REUTERS

A paralisação convocada para esta sexta-feira, 30 de junho, contra o Governo e as reformas de Michel Temer vem se mostrando menor que a última greve geral, ocorrida no dia 28 de abril. O dia começou com protestos e bloqueios pontuais nas principais cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, a linha vermelha, uma importante via de acesso, foi bloqueada pouco antes das seis da manhã com pneus, criando um grande congestionamento, informa María Martín. Outras importantes vias também foram bloqueadas nesta manhã, como a Avenida Brasil, a saída da Ponte Rio-Niterói para esta mesma avenida e o acesso para o aeroporto internacional do Galeão. O saguão do aeroporto Santos Dumont também foi palco de manifestação. Entretanto, os transportes públicos – metrô, trem, VLT, BRT, e ônibus – funcionam normalmente e tiveram que absorver o aumento de demanda causado pelos protestos nas em grandes vias.

Já São Paulo amanheceu com bloqueios em diversos pontos, mas os trens, ônibus e metrôs também circulam normalmente. Várias rodovias chegaram a ser bloqueadas, como os dois sentidos da Dutra na altura do quilômetro 97; a Régis Bittencourt, que bloqueada por faixas que causavam lentidão entre os quilômetros 279 e 274; e a Anchieta, onde manifestantes fizeram barricadas e levantaram faixas em seu quilômetro 16.

Vários grupos também protestaram nas entradas dos aeroportos de Guarulhos, Cumbica e Congonhas. Voos decolaram com atraso, mas até o momento não há informações de que algum tenha sido cancelado. Em Congonhas, centenas de ativistas do MTST chegaram a ocupar o saguão de embarque. Depois de deixarem o local, seguiram pela avenida Washington Luís.

Manifestantes se reuniram em frente ao Masp por volta das 17h30 e ocuparam dois quarteirões da avenida Paulista. A principal via da cidade foi bloqueada nos dois sentidos. O ato é organizado pela Frente Brasil Popular e Povo sem Medo, grupos que reúnem sindicatos e movimentos sociais de esquerda. O objetivo é que a marcha chegue até a sede da Prefeitura, no centro da cidade, por volta de 20h. Os manifestantes também pedem pela convocação de eleições diretas.

Um protesto similar foi convocado no Recife por volta das 16h30, na Praça Derby. Os manifestantes marcharam pela do centro da capital pernambucana. Importantes avenidas do centro foram bloqueadas, como a Cruz Cabugá, onde manifestantes chegaram a atear fogo na pista. Rodovias federais também chegaram a ser bloqueadas durante a manhã.

Já o Distrito Federal amanheceu com as estações de metrô fechadas e os ônibus urbanos nas garagens. A Justiça determinou, entretanto, que ao menos 50% do serviço fosse mantido. Professores e outros funcionários da Universidade de Brasília aderiram à paralisação, assim como os bancários. Um ponto da BR-020 também chegou a ser bloqueada por manifestantes, que fizeram barricadas de pneus, por volta das 6h30. Entretanto, os protestos foram escassos. Na Esplanada dos Ministérios, cerca 30 pessoas se reuniram para protestar, informa Afonso Benites. As concentrações ocorreram em cidades satélites, mas não há estimação de público até o momento.

Em Belo Horizonte, o metrô não funcionou e a única opção de transporte público foram os ônibus, o que acabou congestionando o trânsito. Já em Salvador, o transporte público funcionou normalmente, ainda que rodoviários tenham bloqueado o tráfego da avenida Antônio Carlos Magalhães, causando engarrafamentos.

Convocada por diversas centrais sindicais e movimentos sociais, a paralisação – alguns movimentos não estão nem falando em greve geral, como da última vez – ocorre contra as mudanças da reforma trabalhista. Nesta quarta-feira, o texto da reforma foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora seguirá para a última etapa, que é a votação no plenário do Senado. O presidente da Casa, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), quer colocar em votação já na próxima semana.

Enquanto o texto avança, algumas categorias tentam se mobilizar. Petroleiros, bancários e professores da rede pública de São Paulo prometeram paralisar suas atividades nesta sexta. Entretanto, os metroviários de São Paulo, depois de assembleia no final da tarde desta quinta-feira, decidiram não aderir à paralisação. O Metrô já havia se adiantado e entrado com pedido de Tutela Cautelar Antecipada junto à Justiça do Trabalho, que determinou que 80% do efetivo deve estar disponível nos horários de pico e 60% nos demais horários. Os sindicatos dos motoristas de ônibus não vão aderir. O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, disse à Folha de S. Paulo que a categoria sofreu com as multas recebidas depois da paralisação de abril. Naquele dia, a ausência de transporte público na cidade contribuiu fortemente para que o comércio e outros serviços não funcionassem.

Já os trens que circulam em São Paulo têm sindicatos próprios para cada linha. No final da tarde, em decisão conjunta, os quatro grupos também decidiram não aderir à greve.

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