Discriminação trabalhista

“Procuramos pessoas alegres. Dispensamos portuguesas”

Empresário de Cascais recusa trabalhadoras lusas porque “são depressivas, infelizes com a vida”

Mulher caminha na frente do teatro Baltazar Dias, em Funchal (Portugal).
Mulher caminha na frente do teatro Baltazar Dias, em Funchal (Portugal).RAFAEL MARCHANTE / REUTERS

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“Procuramos pessoas descontraídas e bem-humoradas. A preferência é por brasileiras ou por nacionalidades igualmente alegres, dispensamos portuguesas”. É o anúncio do Cloud Choice, uma empresa de Cascais dedicada, oficialmente, a serviços de informática. No site, descobre-se que seu objetivo comercial é a criação de conteúdos de temática feminina. Mais concretamente, precisam de uma apresentadora/youtuber que não se importe de aparecer vestindo roupas íntimas nos anúncios do portal Sapo.

Nas condições para se candidatar ao emprego se pede “eloquência verbal mesmo que não domine o português ou o espanhol”, mas também uma atitude descontraída e aí se destaca concretamente: “A preferência é por brasileiras ou por nacionalidades igualmente alegres”.

Como resultado das críticas, o empresário retirou o aviso de que não queria mulheres do país. Agora, a exigência é mais sutil: “Preferência por todas as nacionalidades conhecidas por serem alegres”, e quem quiser que envie seu currículo ao Cloud Choice Health.

“Não desejamos pessoas inseguras, depressivas ou indecisas”

O porta-voz da empresa em Cascais, Heinrich Pereira, justificou a preferência por mulheres não nativas em declarações ao jornal Público: “As portuguesas são, em geral, pessoas depressivas, infelizes com a vida”. “Não desejamos pessoas inseguras, depressivas, indecisas ou que fazem uma licenciatura para vender celulares”, diz outro anúncio de emprego da Cloud Choice para o canal do YouTube. A empresa oferece horários flexíveis, mil tipos de café, Red Bull e comida brasileira grátis e sem limite, mas exige conhecimentos de séries televisivas e de videogames.

As críticas se voltaram ao fato de exigir uma mulher e que esta tenha uma nacionalidade determinada, mas não ao considerar triste a mulher portuguesa, que é, enfim, o que preocupa o empresário de origem brasileira.

O tópico da tristeza da mulher portuguesa, e dos portugueses em geral, chegou às ofertas de emprego, ainda que seja para trabalhar seminua e vender serviços de interrupção da gravidez. A má fama – especialmente em sua antiga colônia, o Brasil – talvez tenha muito a ver com as músicas que identificam ambos os países, de fato entre o samba e o fado há um mundo. Nem todas as portuguesas são como Amália Rodrigues e nem todas as brasileiras se chamam Gisele Bündchen, mas os ícones nacionais continuam funcionando.

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