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Kassab lidera doações em caixa 2 dos ministros de Temer com 20 milhões de reais, diz Odebrecht

Segundo delatores, atual ministro da Ciência e Tecnologia era nome em ascensão com novo partido

Para fugir da voracidade dos pedidos por propinas dos políticos do PT e do PMDB, executivos da empreiteira Odebrecht identificaram uma alternativa: investir no PSD, fundado e presidido pelo atual ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab. As informações que constam das delações premiadas e que embasam dois inquéritos contra ele dão conta que ao menos 20,3 milhões de reais foram entregues de maneira ilícita ao ex-prefeito de São Paulo – tudo como caixa dois, o sistema de prestação de contas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral não registra essas doações. Kassab é um dos oito ministros do Governo Michel Temer que estão na lista de Edson Fachin, o ministro do Supremo Tribunal Federal relator da Operação Lava Jato.

Um dos delatores do esquema criminoso, Paulo Henyan Cesena (no vídeo) e seu superior, o ex-diretor Benedicto Pereira da Silva Júnior, identificaram no ministro essa terceira via. Disse Cesena em seu depoimento aos procuradores da força-tarefa da Lava Jato: “Gilberto Kassab era um político que naquele momento estava tentando se posicionar como uma alternativa a outros políticos, seja do PT, seja do PMDB. Ele estava formatando o PSD, que era um novo partido, que podia ser uma via alternativa de influência política bastante relevante”.

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Os valores, segundo as investigações, foram pagos a Kassab entre os anos de 2008 e 2014. Nesse período, ele foi prefeito de São Paulo, candidato à reeleição, e concorreu a uma vaga ao Senado Federal. No período em que foi prefeito, o interesse da Odebrecht ao realizar pagamentos ilícitos era o de manter contratos com a prefeitura de São Paulo. Já quando foi candidato ao Senado era porque ele havia acabado de montar seu novo partido, o PSD, e entenderam que ele teria influência nacional. O que de fato acabou ocorrendo, quando se tornou ministro das Cidades da gestão Dilma Rousseff (PT), em janeiro de 2015.

Conforme Cesena relatou aos investigadores, a ida de Kassab para o ministério das Cidades foi benéfica para a Odebrecht, onde ele teria atuado em favor da empreiteira, interessada em projetos relacionados à infraestrutura que estavam sob a alçada do ministério.

Outros dois delatores do esquema, Carlos Paschoal Armando Guedes Paschoal e Roberto Cumplido, ainda sugerem que Kassab receberia propina por obras viárias em São Paulo por projetos que foram realizados em parceria com o governo do Estado, durante a gestão José Serra (PSDB). Ao menos 200.000 reais teriam sido pagos.

Em nota enviada assim que a lista de Fachin veio à tona, Gilberto Kassab informou que não teve acesso oficialmente às informações, mas “confia na Justiça” e que “é necessário ter cautela com depoimentos de colaboradores, que não são provas”. O ex-prefeito paulistano disse ainda “que os atos praticados em suas campanhas foram realizados conforme a legislação”.

Outros ministros

Além de Kassab, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu a abertura de investigação contra os ministros das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB-SP), da Agricultura, Blairo Maggi (PP-MT), da Indústria e Comércio, Marcos Pereira (PRB-SP), das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB-PA), da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), e da Secretaria de Governo, Wellington Moreira Franco (PMDB-RJ). Somados, os supostos repasses aos oito ministros de Temer totalizaram 49,1 milhões de reais.

Nunes é acusado pelos delatores de receber 500.00 reais em caixa dois para a sua campanha do Senado em 2010. Ele diz que a acusação é mentirosa, mas só vai se posicionar depois que tiver acesso às investigações.

Maggi fora beneficiado com pagamentos que totalizaram 12 milhões de reais em 2006, quando concorreu e se elegeu ao governo do Mato Grosso. Ele nega o recebimento.

Pereira, por sua vez, teria recebido 7 milhões de reais ilegalmente para o seu partido, o PRB, do qual foi presidente. O ministro alega que sempre agiu conforme a legislação e desconhece a acusação.

Araújo é apontado como receptor de 600.000 reais em caixa dois entre os anos de 2010 e 2012. Ele diz que sempre pediu doações às empresas, conforme as regras eleitorais. Mas nega qualquer irregularidade.

Barbalho, derrotado ao governo do Pará em 2014, teria recebido 1,5 milhão de reais em caixa dois. Ele também nega ilegalidades.

O caso dos ministros Franco e Padilha se interlaçam. O primeiro é apontado como o intermediário de um pedido de doação ilegal para o PMDB de 4 milhões de reais. O valor teria sido pago ao segundo. Padilha também é investigado por receber propina de 3,4 milhões de reais referente ao contrato da Trensurb, no Rio Grande do Sul. Os dois ministros, membros da cúpula do PMDB e conselheiros de Temer, informaram que só se manifestarão nos autos dos processos.

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