Conflito na Síria

Países do sul da Europa alertam que “não há solução militar” para a Síria

Sete mandatários do sul da UE coordenam, em Madri, sua resposta ao “Brexit”

Líderes dos países do sul da Europa
Líderes dos países do sul da EuropaSamuel Sanchez / EL PAÍS

Os mandatários dos sete países do sul da Europa (França, Itália, Espanha, Portugal, Chipre, Grécia e Malta) mostraram na segunda-feira sua “compreensão” pelo ataque lançado pelos EUA contra a Síria na madrugada de sexta-feira passada, mas alertaram que “não existe uma solução militar para o conflito” e ressaltaram que “só uma solução política aceitável”, no marco das resoluções da ONU e das conversações de Genebra, pode garantir a paz, a estabilidade do país e a derrota do autodenominado Estado Islâmico.

Mais informações

A declaração da cúpula informal do Palácio do Prado (Madri) condena “nos termos mais vigorosos, o ataque aéreo com armas químicas realizado em 4 de abril em Khan Sheikhun na província de Idlib (Síria)”, mas evita atribuir sua autoria ao regime de Assad e apenas diz que “todos os autores identificados devem [...] ser punidos no marco das Nações Unidas”. Em relação ao lançamento de 59 mísseis Tomahawk contra a base aérea síria de Shayrat realizado pelos EUA, alega que “tinha a intenção compreensível de impedir a distribuição e o uso de armas químicas e se concentrou nesse objetivo”.

Na declaração que os sete líderes fizeram para a imprensa, na qual não admitiram perguntas, o presidente francês, François Hollande, reconheceu que era “muito importante que houvesse uma resposta ao uso de armas químicas”, justificando a intervenção norte-americana, mas afirmou que era preciso “aproveitar a ocasião” para buscar uma solução política para a guerra. O italiano Paolo Gentiloni também insistiu, depois de classificar como “motivada” a represália de Washington, em pedir que a UE tenha um papel “mais forte, incisivo e importante” na busca por uma saída negociada.

A cúpula do Prado foi a terceira realizada pelos sete países da Europa meridional, depois das ocorridas em Atenas (setembro de 2016) e em Lisboa (janeiro de 2017). Além de Hollande e Gentiloni, participaram os mandatários da Grécia, Alexis Tsipras; Portugal, António Costa; Malta, Joseph Muscat; Chipre, Nicos Anastasiades; e o espanhol Mariano Rajoy, como anfitrião.

Apesar das diferenças ideológicas (todos são de esquerda, exceto Rajoy e Anastasiades) este subgrupo é o mais pró-europeu de todos que proliferam no seio da UE, como destacou o maltês Muscat, atual presidente da União. Também representam países acusados por seus sócios do norte de esbanjadores e heterodoxos ou, nas palavras do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, de gastar os fundos que recebem “em álcool e mulheres”. Sem mencioná-lo, Hollande aceitou o desafio para lembrar que, graças aos sacrifícios feitos por seus países para reduzir o déficit e melhorar a competitividade, a zona do euro volta a ser confiável.

O grego Tsipras, sujeito a um plano de resgate draconiano, pediu flexibilidade na aplicação das regras europeias e destacou que “os superávits do norte [referindo-se à Alemanha] são os déficits do sul”. Também assegurou que na próxima cúpula dos sete, a ser realizada em Chipre após as eleições alemãs de setembro, concordaram em discutir a criação de um orçamento para a zona euro e a emissão de eurobônus, algo que Berlim não quer nem ouvir falar. Rajoy também aludiu a uma futura “mutualização” da dívida, o que não foi incluído na declaração, mas esclareceu que esse assunto “não [é] para amanhã”.

Os sete do sul apoiaram as diretrizes da negociação do Brexit, que deve ser ratificada pelo Conselho Europeu no próximo dia 29 de abril e incluem manter a unidade dos 27 países, com um respaldo à equipe negociadora liderada pelo ex-Comissário Michel Barnier; e uma negociação por fases, primeiro o divórcio e, depois, o futuro acordo comercial. Muscat alertou que os direitos dos cidadãos da UE residentes no Reino Unido e dos britânicos que vivem na UE “não podem ser usados como moeda de troca”; enquanto que o português Costa insistiu que, após a separação, Londres deve continuar sendo o “amigo e sócio mais próximo” da UE.

A cúpula do Prado ratificou o compromisso de dar um salto na integração europeia, em conformidade com a declaração aprovada em 25 de março em Roma, por ocasião do 60º aniversário da fundação da UE, mas evitou qualquer referência à Europa de duas velocidades. É que entre os europeus meridionais há países de todos os tamanhos e os médios e pequenos têm medo de ficar relegados a uma segunda divisão europeia.

Mais informações

O mais visto em ...

Top 50