Crise na Venezuela

Policiais e civis chavistas armados reprimem protesto da oposição em Caracas

Manifestantes protestavam contra a decisão do Tribunal Supremo de abolir as funções do Parlamento

Manifestantes opositores enfrentam a Polícía Nacional Bolivariana (PNB).
Manifestantes opositores enfrentam a Polícía Nacional Bolivariana (PNB).CRISTIAN HERNÁNDEZ (EFE)

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A Polícia Nacional Bolivariana impediu, usando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, o desenrolar de uma manifestação da oposição que se dirigia à Assembleia Nacional, no centro de Caracas, organizada para apoiar a destituição dos magistrados do Tribunal Supremo de Justiça que há uma semana aboliram as funções do Parlamento.

As tentativas de chegar, por diferentes lados, ao Parlamento foram reprimidas pelas autoridades e por grupos de civis ligados ao chavismo. O grupo que se dirigiu para a rodovia Francisco Fajardo, a principal da capital venezuelana, foi atacado a tiros por guardas motorizados, segundo denúncias de Lilian Tintori, esposa do prisioneiro político Leopoldo López, em suas contas no Twitter. Participavam da manifestação Henrique Capriles, ex-candidato à presidência e governador do Estado de Miranda, e a ex-deputada María Corina Machado.

Ramón Muchacho — prefeito do município de Chacao, que faz parte da capital — informou que houve nove feridos na manifestação, oito deles com ferimentos múltiplos e um ferido por bala. Capriles denunciou o que aconteceu aos poucos meios de comunicação que transmitiram a manifestação ao vivo. As emissoras de televisão não estatais transmitiram suas programações habituais e a emissora oficial, a Venezolana de Televisión, cobriu uma concentração chavista convocada depois da manifestação da oposição com a clara intenção de boicotar esse protesto.

Os líderes políticos estão a salvo, mas uma pessoa, identificada como Bernardo Sánchez, foi levada ao atendimento de emergência de uma clínica próxima com um tiro na panturrilha. Está fora de perigo, segundo o depoimento que deu à emissora Vivo Play. A ONG Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea, na sigla em espanhol) também confirmou em sua conta no Twitter que vários civis armados investiram contra os manifestantes.

A liderança da oposição não aceitou dessa vez que o regime a impedisse de chegar ao seu destino e a mantivesse confinada nos municípios que governa. O governador Capriles deixou claro durante o caminho percorrido pela manifestação que não estavam dispostos a entregar um documento com suas reivindicações. Machado, enquanto isso, foi captada durante uma transmissão ao vivo na conta no Periscope de Tintori quando chamava os venezuelanos a ignorar o Governo invocando o artigo 350 da Constituição. Há uma convicção profundamente arraigada entre os líderes de não desistir da iniciativa política novamente e indicar ao Governo o caminho de saída.

Em meio à confusão gerada pela repressão, os protestos se tornaram violentos. Os manifestantes fecharam a estrada Fajardo, que atravessa a capital de leste a oeste, levantaram barricadas e atiraram pedras contra os destacamentos da Guarda Nacional Bolivariana que bloqueavam a passagem na direção do centro de Caracas. No meio da tarde a confusão era muito grande e havia dúvidas sobre a realização da plenária da Assembleia Nacional. A oposição tenta iniciar um processo para destituir os juízes chavistas que ignoraram o Parlamento mediante duas sentenças. Não é um processo expeditivo. A Constituição venezuelana prevê que o Parlamento poderá destituí-los depois que o Conselho Moral Republicano — formado pela procuradora-geral da República, o provedor de Justiça e o controlador geral — qualificar seu desempenho como uma falta grave. O chavismo controla essa instância.

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