Chapecoense

Clubes argentinos mandam camisas de presente à Chapecoense

Embaixador do Brasil em Buenos Aires recebe 25 modelos usados durante homenagens neste mês

A coleção de camisas que será trazida ao Brasil.
A coleção de camisas que será trazida ao Brasil.

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A tradicional rivalidade futebolística entre Argentina e Brasil ficou em segundo plano neste ano. A razão fundamental é a dor generalizada pela tragédia que abateu a Chapecoense em 29 de novembro, quando o avião que levava a equipe para disputar a final da Copa Sul-Americana em Medellín caiu perto do aeroporto, deixando 71 mortos entre jogadores, dirigentes, jornalistas e tripulantes do voo.

Os clubes argentinos estiveram entre os primeiros a se solidarizar, chegando inclusive a oferecer atletas por empréstimo para que a Chape pudesse reconstruir seu time. Nesta quarta-feira, esses gestos solidários foram eternizados num emotivo ato na residência do embaixador do Brasil em Buenos Aires, Sérgio França Danese.

Os representantes dos clubes com o embaixador Sérgio Danese.
Os representantes dos clubes com o embaixador Sérgio Danese.

Representantes da maioria dos clubes da Primeira Divisão foram até a residência diplomática para entregar ao embaixador as camisas que 25 equipes utilizaram na rodada de 3 e 4 de dezembro do Campeonato Argentino, quando os times entraram em campo trajando o escudo ou as cores da Chapecoense. O presente viajará a Chapecó (SC) e será entregue às famílias das vítimas. Os clubes que participaram da homenagem são: Aldosivi, Arsenal, Atlético de Rafaela, Atlético Tucumán, Banfield, Belgrano, Colón, Defensa y Justicia, Gimnasia y Esgrima, Godoy Cruz, Huracán, Independiente, Lanús, Newell's Old Boys, Olimpo, Patronato, Quilmes, Racing, Rosario Central, San Lorenzo, Sarmiento, Temperley, Tigre, Unión, Vélez Sarsfield. Só faltaram River, Boca, San Martín de San Juan e Estudiantes de La Plata, embora essas equipes tenham repetido o gesto em caráter individual.

Danese agradeceu a demonstração de solidariedade: “O povo de Chapecó e todo o povo brasileiro guardarão na memória esta mensagem, com gratidão e profunda amizade. Aqui se apagam as fronteiras das paixões, da competição que deve ser própria dos gramados e estádios, para que todos se unam em torno de uma ideia de comunidade na dor e na perda – neste caso, em torno de uma homenagem sincera e sentida que fazem todos os argentinos à equipe heroica da Chapecoense”.

Javier Montanari, representante do Huracán, qualificou o gesto como um “presente genérico do futebol argentino”. “Eu tive a desgraça de perder dois amigos nesse voo, que eram Cadu Preuss e Mauro Stumpf [dirigentes do clube brasileiro]” disse Montanari, “Continuamos em contato com suas famílias e queríamos fazer algo que chegasse a eles.” Visivelmente emocionado, o dirigente continuou falando em português, como forma de prestar homenagem aos jogadores mortos. “O que aconteceu com a Chapecoense foi uma tragédia muito grande. Quem teve a chance de conhecê-los sabe que foram guerreiros de verdade. Eram uma equipe muito pequena, com pouca renda e poucos torcedores, mas com uma paixão pelo futebol que eu nunca conheci antes. Esses rapazes mereciam ser campeões, e para mim vai ficar na memória do mundo inteiro que a Chapecoense foi o maior campeão de um torneio sul-americano.”