Um tsunami político para Temer

Na avaliação de aliados, pedido de prisão para caciques do PMDB pode provocar "caos" no

Congresso

Governo Temer
Zavascki, que analisará pedidos de prisão. EFE

Aliados de Michel Temer entendem que os pedidos de prisão dos caciques do PMDB, feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, poderiam gerar um caos parlamentar e seriam uma catástrofe para a gestão interina, caso sejam aceitos pelo Supremo Tribunal Federal. Os pedidos não só atingem o coração do partido do presidente interino, mas também colocariam o Senado Federal, ainda que interinamente, sob o comando de um petista, o senador Jorge Viana, do Acre, no momento em que os senadores se preparam para julgar o impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff - Viana é o atual primeiro-vice-presidente da Casa. Ter um opositor no comando do Congresso Nacional significa ainda enfrentar dificuldades no trânsito de projetos de lei que o Executivo considera importantes.

Eis a avaliação de dois auxiliares de Temer sobre o que tem sido chamado pelo Governo de “tsunami”: 1) A eventual prisão domiciliar de José Sarney seria um simbolismo que o PMDB não quer ter para si por ele ser um ex-presidente da República e o presidente de honra da legenda; 2) Se Jucá for detido, haverá um prejuízo a imagem da gestão Temer, já que o ex-ministro do Planejamento foi um dos principais articuladores do Governo e ainda tem um bom trânsito no Congresso; 3) As possíveis (ainda que nem tão prováveis) detenções de Calheiros e Cunha representariam mais uma forte interferência do Judiciário no Legislativo reforçando a tese da “democracia de toga”, que tem sido propalada principalmente por parte dos que temem ser pegos pela Operação Lava Jato.

No caso de Cunha, o Governo imagina que possa ainda haver mais dois problemas, o das negociações com o centrão (grupo de partidos ainda sob a influência dele) e uma interferência no processo de impeachment, já que foi esse deputado quem conduziu o processo na Câmara e, com ele preso, a tese de impeachment por vingança volta a ganhar força. O julgamento de Dilma Rousseff só deve ser concluído pelo Senado em agosto. Na ocasião, os senadores votarão se ela cometeu ou não o crime de responsabilidade fiscal ao assinar seis decretos de suplementação orçamentária e por fazer pedaladas fiscais.

Mesmo diante de tantas informações negativas (nesta semana outros dois ministros quase caíram), Temer tenta dar um caráter de normalidade à sua gestão. Nos próximos dias, deve se reunir com cerca de 150 empresários para buscar uma reaproximação com o setor. Na próxima semana, fará três viagens oficiais para Alagoas, Pernambuco e Rio de Janeiro.

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