Rio 2016

OMS recomenda que áreas pobres sejam evitadas nos Jogos Olímpicos

Organização Mundial de Saúde pede aos estrangeiros que pratiquem sexo seguro ou se abstenham

Soldado distribui material informativo sobre o zika em Copacabana.
Soldado distribui material informativo sobre o zika em Copacabana.Leo Correa (AP)

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Entre as diretrizes, a OMS recomenda evitar áreas urbanas pobres e superlotadas, sem água potável ou com falta de saneamento básico, “onde o risco de ser picado pelo mosquito que transmite o vírus é muito maior”. Na prática, essa advertência significa evitar as favelas, que são parte da paisagem urbana da cidade e, apesar da crescente insegurança nas ruas, se tornaram pontos turísticos nos últimos anos. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, não gostou da advertência e afirmou que o vírus não tem nada a ver com a classe social. “Todas as recomendações são válidas, mas eu não concordo com esta. Se olharmos para o mapa de disseminação da dengue no Rio, que é muito mais dramática do que o zika, o vírus não escolhe classe social e não ocorre necessariamente nas áreas mais pobres da cidade. Desaconselho deixar de visitar toda a cidade, uma das riquezas do Rio são suas regiões mais pobres”, disse Paes.

Embora a OMS não ainda não tenha provas conclusivas, há fortes indícios e vários casos de contágio -o último na Alemanha- em que o vírus foi transmitido sexualmente. A esse respeito, a OMS também aconselha quem visitar o Rio de Janeiro a praticar “sexo mais seguro” ou a se abster de manter relações sexuais durante a estadia. A recomendação, que deve ser mantida durante ao menos quatro semanas depois de voltar da viagem, é ainda mais específica para os homens que serão pais, para evitar infectar suas parceiras grávidas.

O guia mantém as recomendações básicas de combate ao mosquito Aedes aegypti, que também transmite dengue, febre amarela e chikungunya, como usar repelente de insetos, roupas claras e que cubram a maior parte do corpo, e dar prioridade a locais de ar condicionado, onde se possam manter as janelas fechadas.

Nos últimos meses, quando o vírus se tornou motivo de alerta global de saúde, várias vozes da comunidade científica recomendaram atrasar os Jogos Olímpicos e até mesmo suspendê-los. O último aviso veio do doutor Amir Attaran, que escreveu na revista especializada em saúde pública da Universidade de Harvard que o evento “pode acelerar a propagação do vírus” e sugeriu que os Jogos sejam adiados ou realizados em outra cidade brasileira. A menos de três meses do início dos Jogos, as autoridades olímpicas e políticas nem levantam essa possibilidade.

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