EPIDEMIA DE MICROCEFALIA NO BRASIL

O que faltava: o mosquito

O Brasil entra na estação de chuvas, período em que o Aedes aegypti se multiplica

Mosquitos Aedes aegypti, estudados em laboratório da Fiocruz.
Mosquitos Aedes aegypti, estudados em laboratório da Fiocruz.Mario Tama (Getty Images)

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Alguém dá mais? Sim, claro.

A presidenta Dilma Rousseff, que não teve pausa em seu tormentoso segundo mandato desde que começou em 1º de janeiro de 2015, sofre um envenenado processo de impeachment que, apesar de sua razão de ser juridicamente questionável, vai se transformar em um imprevisível julgamento político de sua figura (e de seu partido). Tudo vai explodir assim que terminarem as férias de verão e o Carnaval. Fiquem atentos.

Isso é tudo? Não, claro que não.

Uma macro-operação policial, a Operação Lava Jato, que se desenvolve há um ano e meio, com foco na crescente onda de corrupção da empresa pública Petrobras, afeta os maiores empresários do país, dezenas de políticos relevantes. O maquiavélico sistema judicial brasileiro permite reduzir a pena em troca de delatar outros, de modo que as revelações não acabam nunca. Ninguém sabe onde ou quem vai terminar na relação de corruptos, acusados, presos e condenados.

Assim, no dia em que os mercados não se assustam com a lista de corruptos, são os números (atrozes) da economia ou o (negro) futuro político Rousseff ou tudo junto ao mesmo tempo. E as agências de classificação diminuem a nota de crédito do Brasil colocando-a no status de lixo, tornando os números da economia ainda mais atrozes etc, etc...

E como se fosse pouco, chega o mosquito. O maldito Aedes aegypti, um inseto antipático, que voa baixo (não sobe além do sexto andar) e tem o hábito de picar no horário comercial, entre nove da manhã e uma da tarde. Transmissor da dengue, do chikunguya e do zika. Este último é a causa, de acordo com todos os especialistas, dessa doença terrível que as mães transmitem pelo sangue a seus filhos ainda não nascidos: a microcefalia, fonte de doenças imprevisíveis dependendo da área do cérebro afetada.

Não existe cura ainda. O falido sistema de saúde brasileiro solicita medidas preventivas: matar o mosquito atacando onde ele se esconde, seja em vasos com água, copos cheios esquecidos ou em qualquer recipiente que acumule água no exterior.

Para piorar a situação, o país está no meio da estação chuvosa, período em que o mosquito aproveita para se multiplicar.

Poderia ser pior?