Mais de 18 milhões de mulheres sofrem de desnutrição grave

Estudo mostra que os países em desenvolvimento “deixam para trás” 2% de sua população

Mulheres em centro de reabilitação nutricional no distrito de Shivpuri, Madhya Pradesh.
Mulheres em centro de reabilitação nutricional no distrito de Shivpuri, Madhya Pradesh.Arjun Claire (EU/ECHO)

Embora passos muito importantes tenham sido dados nas últimas décadas para diminuir a fome no mundo, ainda existe um grupo de excluídos que foi deixado para trás. Nos países em desenvolvimento, é cada vez menor o número de crianças desnutridas, e, em muitos casos, o sobrepeso e a obesidade passaram a ser um novo problema de saúde pública. No entanto, enquanto esses países vão saindo do buraco da fome, a proporção de adultos em situação de desnutrição grave se mantém estável, como mostra o primeiro estudo voltado para a quantificação da magreza extrema em 60 países de renda baixa e média que representam mais de 3 bilhões de pessoas.

Mais informações

Concretamente, são mais de 18 milhões de mulheres que estariam nessa situação de desnutrição grave, a qual provoca sérios problemas de saúde, como maior exposição a infecções e doenças em geral, e com maior risco de morrer do que as pessoas de peso normal, o mesmo acontecendo com seus bebês. Os dados sobre essas mulheres desnutridas, em torno de 2% nesses países, indicam que elas são ao mesmo tempo extremamente pobres e com educação precária, segundo o trabalho, divulgado pelo JAMA.

Os dados sobre essas mulheres desnutridas, em torno de 2% nesses países, indicam que elas são também extremamente pobres e com educação precária

A primeira conclusão dos autores da pesquisa, das universidades de Toronto e Harvard, é que a desnutrição severa ainda é comum, superando 6% das mulheres na Índia, e entre 2% e 4% em países como Bangladesh, Madagascar, Timor Oriental, Senegal e Serra Leoa. Países como Albânia, Bolívia, Egito, Peru, Suazilândia e Turquia registram taxas inferiores a 0,1%. A fome ainda atinge 800 milhões de pessoas no mundo, e essas mulheres seriam o grupo mais afetado dessa população com dificuldade de acesso a alimentos.

“Os níveis não melhoraram na maioria dos países durante as últimas duas décadas”, destaca Fahad Razak, principal autor do estudo, como sendo a segunda conclusão preocupante do estudo: há um grupo abandonado dentro dos países em desenvolvimento ao qual não chegam os avanços obtidos por seus países e que continua passando fome. “Os dirigentes políticos e os governos devem priorizar também as necessidades desse grupo”, defende o pesquisador.

Na maioria desses países, a desnutrição extrema não está melhorando, pois se trata de uma população que foi deixada para trás

“A maioria desses países estão, em média, mais ricos. E o índice de massa corporal médio aumentou, assim como a obesidade. Mas, na maioria desses países a desnutrição severa não está melhorando, pois se trata de uma população que foi deixada para trás”, resume Razak, pesquisador da Universidade de Toronto e do Centro de Estudos de População e Desenvolvimento da Universidade Harvard.

O estudo enfocou a quantificação das mulheres que apresentavam um índice de massa corporal inferior a 16, proposto pelas Nações Unidas, em 1998, como um método eficaz para quantificar a presença da desnutrição crônica grave em uma população. O estudo priorizou as mulheres por não haver uma grande base de dados significativa sobre os homens nesses 60 países: “Temos dados sobre os homens em 13 países, e os níveis são quase idênticos aos das mulheres. Isso sugere que o problema tem provavelmente a mesma importância entre a população masculina do mundo”, afirma Razak.

Regras

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
Logo elpais

Você não pode ler mais textos gratuitos este mês.

Assine para continuar lendo

Aproveite o acesso ilimitado com a sua assinatura

ASSINAR

Já sou assinante

Se quiser acompanhar todas as notícias sem limite, assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$
Assine agora
Siga-nos em: