O papa Francisco visitará a Colômbia para contribuir com a busca da paz

A viagem é esperada para o primeiro semestre de 2016 O presidente Santos diz que se trata de um “grande estímulo” para o processo

O Papa, nesta sexta-feira Santa em Roma.
O Papa, nesta sexta-feira Santa em Roma.ANGELO CARCONI (EFE)

A comunidade católica na Colômbia recebeu com júbilo a notícia de que o papa Francisco visitará o país no próximo ano, embora ainda não se sabe a data exata. Esta será a terceira vez que um pontífice estará na Colômbia, 29 anos depois da visita, durante sete dias, de João Paulo II e 47 anos depois da viagem de Paulo VI.

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O anúncio foi conhecido através de uma carta assinada pelo secretário do Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, na qual a mensagem central gira ao redor da paz. “O Santo Pai deseja transmitir estas reflexões ao amado povo colombiano, a seus pastores e suas autoridades, esperando encontrá-los logo, durante uma de suas viagens à América Latina, para levar pessoalmente a mensagem de paz de Cristo, o senhor”, diz a carta divulgada na quinta-feira.

A carta, de duas páginas, está dirigida ao monsenhor Luis Augusto Castro, presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, e embora não mencione de maneira explícita o processo de paz com a guerrilha das FARC, entende-se que o papa Francisco dá seu apoio aos diálogos realizados pelo Governo em Cuba desde novembro de 2012. “Devem ser estimulados, antes de tudo, na alegria de se tornar presente a Jesus Cristo ‘príncipe da paz’, o único que torna possível a reconciliação, em meio a tantos sofrimentos e divisões”, diz a nota.

A mensagem enfatiza a importância de construir a paz em um país que sofreu durante cinco décadas um conflito que deixou mais de sete milhões de vítimas. Daí que faça um chamado a trabalhar a favor da justiça, da fraternidade, do diálogo e do entendimento, necessários, diz, para construir uma “sociedade renovada”. O Pontífice também reafirmou o papel das vítimas, convidando a que seja “restaurada sua dignidade e se repare o dano sofrido”. Precisamente, os negociadores de paz discutem agora como ressarcir as vítimas, um dos pontos cruciais do processo de paz.

O chamado de Francisco inclui reflexões sobre a reconciliação, por isso pede que os fiéis trabalhem para que a Igreja se transforme em “um hospital” para os que os sofreram o conflito, mas também para os que atuaram com violência. “Que este hospital abarque as periferias da dor, muitas vezes também do ressentimento e do ódio, que são gerados em todos os conflitos, dos familiares até os de maior envergadura”, diz a nota.

O presidente Juan Manuel Santos, em sua conta de Twitter, classificou a carta como “grande estímulo para que todos continuem trabalhando pela paz”. A mensagem é a resposta a um pedido que tinham feito 78 bispos do país, acompanhada de uma carta de Santos que pessoalmente, em maio de 2013, tinha convidado o papa Francisco para visitar o país.

Ao se conhecer a notícia, o monsenhor Castro disse aos meios locais que ainda é prematuro falar de uma data, mas espera-se que seja no começo de 2016, o que poderia coincidir com a assinatura do acordo de paz, se o processo continuar avançando. Tampouco se sabe os lugares que visitaria, mas não se pode descartar que vá à Basílica de Chiquinquirá, um templo a duas horas de Bogotá onde se encontra uma imagem da virgem de Chiquinquirá, padroeira da Colômbia. “O Papa vai nos dizer os dias em que virá e nós, aqui, montamos seu roteiro, acompanhados por todos os colombianos”, acrescentou Castro.

Esta será a terceira visita de Francisco à América Latina depois de visitar o Brasil em 2013 para a Jornada Mundial da Juventude e da próxima viagem em julho à Bolívia, Paraguai e Equador. Desde que assumiu o papado, o hierarca argentino esteve na Jordânia, Israel, Palestina, Coreia do Sul, Albânia, França, Turquia, Filipinas e Sri Lanka.

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