Coluna
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Dropes indigestos

O PT resvala de forma perigosa numa espécie de fundamentalismo político, em que os fins justificam os meios

A RESPONSABILIDADE DE DILMA - Embora não tenha dúvida de que houve enormes e essenciais avanços principalmente no campo social ao longo da última década, mais pela arrogante incompetência tucana que pela eficiência petista, é inegável que a corrupção vem se alastrando na máquina administrativa de maneira acintosa. O PT resvala de forma perigosa numa espécie de fundamentalismo político, em que os fins justificam os meios. Agora, com a instauração de inquéritos no STF relativos ao escândalo da Petrobras, a presidente Dilma Rousseff deve explicações claras aos eleitores: ou ela sabia do esquema de propinas e deve ser responsabilizada, no mínimo, por omissão; ou não sabia e deve ser responsabilizada por inépcia.

O CINISMO DO PMDB – O PMDB vem exercendo o cinismo político desde o fim da ditadura militar. Como sempre obtém um número expressivo de parlamentares, nada é aprovado no Congresso sem o aval do partido. E sua capacidade de sobrevivência dá mostras nos momentos de crise. Recém-reeleito vice-presidente da República, Michel Temer lidera uma agremiação que abandona o barco ao menor sinal de tempestade. Não está sendo diferente agora. O presidente do Senado, Renan Calheiros, que sofreu um processo de cassação por corrupção em 2007, tendo sido absolvido por uma pequena diferença de votos; e o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, que prega a “moralização” da sociedade brasileira, ambos do PMDB, encabeçam a lista dos 47 envolvidos na investigação do escândalo da Petrobras. Depois de Temer, o primeiro nome na linha de sucessão da Presidência da República, em caso de ausência de Dilma, é Eduardo Cunha...

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LISTA – Alguns dos nomes que aparecem na lista dos envolvidos na investigação de irregularidades na Petrobras são notórios frequentadores do noticiário policialesco (além do já citado Renan Calheiros, Fernando Collor, Roseana Sarney, Edison Lobão, Romero Jucá, Valdir Raupp). Portanto, nenhuma surpresa. Curioso é ver os rostos de petistas, como Gleisi Hoffman, Lindberg Farias, Humberto Costa, José Mentor, Candido Vacarezza, Vander Loubet, lado a lado com quase toda a bancada do PP, do também já citado presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do senador Antonio Anastasia, braço direito do candidato derrotado à Presidência da República senador tucano Aécio Neves.

RORAIMA – Em dias tão conturbados, pode ter passado despercebido um escândalo, menor, mas ainda assim bastante emblemático da política brasileira, ocorrido em Roraima. Um dos primeiros atos da governadora Suely Campos (PP) ao assumir o mandato em 1º de janeiro foi nomear 12 parentes para cargos nos primeiro e segundo escalões, com salários variando entre R$ 16 mil e R$ 23 mil. Seu secretariado inclui duas filhas (Danielle, chefe da Casa Civil, e Emília, titular da pasta de Trabalho e Bem-Estar Social), uma irmã (Selma, titular da Educação) e dois sobrinhos (Kalil, titular da Saúde, e Fred, da Administração). Consultado o Tribunal de Contas do Estado (TCE), coube a palavra final ao conselheiro Marcus Hollanda, que concluiu que as indicações não caracterizam nepotismo. Hollanda ficou dois anos afastado do tribunal e responde inquérito por suspeita de envolvimento num esquema de nomeação de funcionários fantasmas no governo anterior, de Neudo Campos – que vem a ser marido de Suely Campos...

RONDÔNIA – O governador Confúcio Moura (PMDB) e seu vice, Daniel Pereira (PSB), tiveram o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral por abuso de poder econômico. Houve farta distribuição de comida, bebida, sorvetes e picolés para os participantes da convenção que escolheu a chapa para concorrer à reeleição. Cabe recurso junto a instâncias superiores. Democracia plena não é o direito de votar a cada dois anos: é viver num país onde ninguém precisa trocar o voto por comida, por material de construção, por favores.

MULHERESO Brasil ocupa a 116ª posição entre 190 países num ranking que quantifica a participação das mulheres na política. Fica abaixo até mesmo de alguns países conhecidos por negar direitos básicos às mulheres, como Jordânia, Síria, Iraque, Afeganistão e Arábia Saudita. Segundo o boletim da União Interparlamentar, as brasileiras representam 9,9% das cadeiras da Câmara (51 deputadas) e 13% do Senado (12 senadoras). A dúvida é saber se essa situação é o reflexo do machismo brasileiro, que impõe à sociedade a ideia de que política é coisa de homem, ou se é resultado da desconfiança feminina, que não quer afundar os pés no pântano pestilento em que se transformou a nossa governação.