Bolsonaro sob a lupa

O presidente do Brasil será investigado por importantes acusações

Bolsonaro na posse do novo ministro da Justiça, André Mendonça, no Planalto.
Bolsonaro na posse do novo ministro da Justiça, André Mendonça, no Planalto.UESLEI MARCELINO / Reuters

Depois da renúncia do ministro da Justiça, o ex-juiz Sergio Moro, a crise no Brasil passou a ter consequências muito graves para o presidente Jair Bolsonaro, incluindo um hipotético processo de destituição do cargo. A decisão do Supremo Tribunal Federal de endossar, a pedido da Procuradoria-Geral da República, o início de uma investigação contra o presidente por falsidade ideológica, obstrução da Justiça, prevaricação e corrupção passiva privilegiada, entre outros, dá plausibilidade às acusações lançadas por Moro sobre as verdadeiras razões da demissão do chefe de Polícia Federal, ordenada pelo presidente.

Bolsonaro, que chegou à Presidência do Brasil se apresentando, entre outros argumentos, como o campeão da luta contra a corrupção —ele se gabava de que em 28 anos como deputado nunca havia sido apontado como corrupto—, agora será submetido a escrutínio pela Justiça sob o olhar atento de uma opinião pública perante a qual está perdendo credibilidade. Além do mais, a substituição que Bolsonaro buscava na chefia da Polícia Federal não era exatamente inquestionável, pelo menos em termos formais. Queria colocar um delegado cuja amizade com um de seus filhos é conhecida. Acontece que é essa mesma polícia que se encarregará da investigação.

Uma das jogadas de efeito do político ultradireitista quando chegou ao poder em janeiro do ano passado foi a nomeação do então juiz Sergio Moro como ministro da Justiça e Segurança Pública. Moro ganhou grande notoriedade como promotor da megacausa contra a corrupção chamada Operação Lava Jato, um verdadeiro terremoto na vida política e empresarial brasileira e que, entre outras consequências, terminou com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A saída abrupta de Moro também se une à do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, um forte defensor das medidas de confinamento para combater a covid-19 que têm sido pública e repetidamente desprezadas em público pelo presidente.

Há menos de um ano e meio no poder, Bolsonaro assiste à abertura de uma inesperada frente judicial que se une à crise política em seu próprio Governo, um sombrio panorama econômico que será agravado pela pandemia e a queda na popularidade causada, entre outras razões, por sua errática e às vezes bizarra gestão da pandemia. Como costuma acontecer com os populistas na hora de administrar, Bolsonaro está alcançando o completo oposto da promessa de “tornar grande” o seu país. O Brasil já era um grande país. E deve continuar sendo.

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